Corrupção

O PCC na elite financeira do Brasil!

Este país é uma surpresa óbvia. Tudo que está ligado ao bem tem dificuldades para progredir, mesmo quando sobrevive às intempéries. Agora, tudo que é ruim, ilegal, imoral ou prejudicial tende a se enraizar quebrando estruturas, fazendo vítimas e sugando as riquezas da nação. Quem diria, pois, que o PCC viraria uma organização financeira, a ponto de ousar adentrar na elite econômica do país? A chegada do Primeiro Comando da Capital (PCC) à Faria Lima — o coração financeiro de São Paulo — revelou uma faceta sofisticada e silenciosa do crime organizado no Brasil. A facção, conhecida por sua atuação violenta nas periferias e presídios, expandiu sua influência para o mercado financeiro por meio de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis.

Tudo começou em maio de 2023, quando a Polícia Rodoviária Federal interceptou um caminhão com metanol, dando início à operação Carbono Oculto. A investigação revelou um esquema de adulteração de combustíveis com metanol em postos da Grande São Paulo, violando normas da ANP e colocando consumidores em risco. Então, precisou apenas seguir o rastro do dinheiro e aí se chegou ao âmago da coisa. O PCC usou fintechs e fundos de investimento sediados na Faria Lima para lavar dinheiro oriundo do esquema de combustíveis. Foram identificados, ao todo, 40 fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões, muitos deles com estrutura de ocultação sofisticada, como fundos fechados com um único cotista. A operação revelou que mais de R$ 52 bilhões foram movimentados entre 2020 e 2024, com uma sonegação fiscal estimada em R$ 7,6 bilhões.

O que o PCC fez foi criar uma cadeia produtiva dominada, infiltrando-se em toda a cadeia de combustíveis, desde a produção (usinas e fazendas de cana) à distribuição (transportadoras e postos). Com um detalhe: as compras eram feitas à vista e com ameaças, o que chamou atenção de autoridades e levou a denúncias ao Gaeco.

A megaoperação gerou uma força-tarefa que envolveu 1.400 agentes e cumpriu mais de 400 mandados em oito estados. Foram bloqueados R$ 3,2 bilhões em bens, incluindo imóveis, veículos e embarcações. A operação atingiu 42 alvos na Faria Lima, incluindo gestoras e fintechs que operavam como “bancos paralelos” para o PCC. Essa infiltração mostra que o crime organizado não atua apenas nas margens da sociedade, mas também no “andar de cima” da economia. Como disse o ministro Fernando Haddad, “essa operação é exemplar porque conseguiu chegar na cobertura do sistema”.

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