Onde foi parar o dinheiro do Fundo Eleitoral?

Maior parte do Fundo Eleitoral deve seguir o caminho dos grandes centros (foto: Correio -MA)

Hoje venceu o prazo para prestação das primeiras contas eleitorais dos candidatos. A maioria das candidaturas em nossa região não apresenta um centavo do Fundo Partidário. Enquanto isso, as despesas contratadas estão penduradas no prego da porta de um casa na Rua do Calote. O Contraprosa foi verificar se isso é um problema apenas do interior ou se é a velha história de se gastar toda a grana nas cidades grandes e médias, enquanto os pequenos municípios ficam a ver navios.

Em Salvador, a candidata do PT, Major Denice, já gastou mais de 1 milhão de reais e o Partido dos Trabalhadores destinou para sua campanha exatos 930 mil reais. O candidato do Avante, o pastor e sargento Isidório, recebeu mais de 800 mil da agremiação, e sua vice, esposa do senador Coronel, liberou mais de 400 mil do PSD para o pleito. Em Feira de Santana, o Democratas liberou 100 mil para Colbert Martins, embora seu partido – o MDB, não tenha oferecido nada até aqui. A professora Dayane Pimentel, do PSL, já foi agraciada com 390 mil do diretório nacional. Em Itabuna, o candidato do PDT – Dr. Mangabeira, já foi agraciado pelo diretório nacional com 150 mil reais. Em Vitória da Conquista, o candidato do PP – Romilson Filho, recebeu do diretório nacional 80 mil reais.

E na nossa região, temos notícias de recebimento de fundo do PT, em Poço Verde-Se, 30 mil. Em Fátima, Binho de Alfredo, mesmo liderando, só recebeu do partido pouco mais de 20 mil reais. Binho está prestigiado porque Jailma, do PT de Banzaê, só recebeu 12 mil e Germano, do PT da Ribeira do Amparo, não recebeu nada ainda. Em Euclides da Cunha, o prefeito Luciano, do PDT, recebeu 35 mil do partido. Já Fátima Nunes, esposa do deputado federal José Nunes, recebeu 385 mil e está muito sorridente na foto. Em Ribeira do Pombal, o candidato do PSD – Eriksson – está tão pobre quanto Thiago Andrade de Heliópolis: zero de doação partidária, mesma condição de Nay de Zé Grilo – PP. Em Cícero Dantas, Dr. Ricardo já recebeu 60 mil do Progressistas nacional, e Kael Xavier parece ter mais prestígio que os demais colegas de partido. Já recebeu 35 mil reais do diretório estadual do PSD.

Quem procurar um critério para distribuição da grana do Fundo Partidário ficará louco. Parece que, em regra geral, os candidatos sem deputados federais de prestígio junto às direções partidárias, tende a sofrer mais. E quando mais pertencer a município pequeno, maior será o desprezo dos que guardam o dinheiro. Certamente farão uso melhor nas campanhas estaduais, quando então estarão agindo em benefício próprio. Tudo isso é consequência natural de um país administrado por supostos espertos, que já sabem o alto preço que pagamos para manter acesa a chama da democracia, mas nem imaginam o sangue que será derramado caso tudo isso não dê em nada, servindo apenas para engordar contas bancárias dos aproveitadores desta república.    

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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