Os prefeitos que mataram árvores

Árvores plantadas há décadas foram ao chão. Não há como justificar. (foto: Landisvalth LIma)

A natureza humana é complexa, uma espécie de contabilidade do caos. Parece que não temos saída e caminhamos para a extinção. Pequenas ações da raça humana determinam como pensamos e em que acreditamos. Houve um tempo neste sertão que muitas pessoas extraiam dentes sadios para poder comprar uma dentadura. Preferimos sempre o industrial ao natural e enveredamos pelo errado só para contrariar o certo. Mas juro que, de todas as idiotices que testemunhei, há uma que não encontro justificativa: a derrubada de uma árvore que está ali sem atrapalhar ninguém. A cena que vi hoje não sairá dos meus olhos por longo tempo e será lembrada como o final do governo de Ildefonso Andrade Fonseca. Todas as árvores, forjadas há décadas pela natureza, localizada na praça Padre Mendonça, palco da centenária matriz da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, foram arrancadas. Estão mortas.

Os últimos prefeitos de Heliópolis, Walter Rosário e Ildinho, já podem ser considerados matadores de árvores. Não conseguem projetar uma praça sem aproveitar o que a natureza já nos deu. Não me refiro às árvores que estão com as raízes podres, que podem cair e provocar acidente, ou aquelas que podem permitir atrapalhar a iluminação etc. Estas são absolutamente justificáveis. Mas as árvores da Praça Padre Mendonça não atrapalhavam em nada. Poderiam ser aproveitadas na reforma, inclusive por terem sombras generosas. E não adiantam vir com a ideia de que outras serão plantadas. Que plantem outras sem acabar com as existentes. Precisamos sempre de mais árvores. A cidade fica mais humana, habitável, fresca e aprazível. Quem não vê isso é um insensível e parece gostar de viver muito feliz num deserto. É uma pena. Tenho certeza de que a praça da Igreja Matriz ficará muito bonita depois da reforma, mas esta imagem demorará um bom tempo para que a possamos esquecer. 

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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