Pademia de incoerências

Ribeira do Pombal, em 1 de julho. Para que vai servir o lockdown? (foto: Redes Sociais)

Quem acompanha pelas rádios, tvs e redes sociais o panorama da pandemia da Covid-19 em nossa região, tende a ficar, no mínimo, com uma pulga atrás da orelha. Vários prefeitos, no início do processo de combate ao novo coronavírus, mandou fechar o comércio e tomou até as precauções recomendadas pela Sesab, OMS e Ministério da Saúde. Por falta de informações, ou movidos por otimismo, pensaram que seria algo aí de 45 ou 60 dias. Se estudarmos as grandes pandemias do mundo, perceberemos que o que mais fez prolongar por dois ou três anos o pico epidêmico foi a ignorância. Hoje, mesmo que a doença ainda tenha áreas desconhecidas, já se sabe que é o isolamento social a melhor arma para barrar a contaminação. Mesmo sabendo disso, muitos prefeitos resolveram baixar a guarda e contaram com ajuda luxuosa do Presidente da República e dos incrédulos.

Heliópolis foi o último município da região a ser contaminado, mesmo sem baixar a guarda por todo este tempo. O vírus chegou por aqui para ficar e fazer estragos. Para isso, conta com os atos incoerentes de prefeitos e de incrédulos. Vou dar o exemplo do prefeito Ricardo Maia, de Ribeira do Pombal, porque o Contraprosa avisou que ele estava arriscando muito autorizando a abertura total do comércio. Mesmo com medidas sanitárias adotadas, há os incrédulos. Estes são uma parcela considerável da nossa sociedade que não acredita em nada. Nasceram para desconstruir, desconsiderar, enfrentar aquilo que está posto como verdade. Quando chamados em atenção, repetem os mesmos mantras: “besteira, idiotice.”. Ou, como nosso presidente, diz que é preciso enfrentar o vírus como homem! Este pessoal só entende a chamada da ordem, da lei.

Neste artigo, trago uma foto e um vídeo. A foto está assinada por Gordo de Dadá, opositor ferrenho do atual prefeito de Ribeira do Pombal. Não sabemos se a foto foi tirada por ele ou se apenas compartilhou, mas ela e é um flagrante da ação incoerente do atual gestor. O vídeo foi baixado de uma rede social e o autor não se identifica. Neste último é mostrado o lockdown concreto implantado no município. Era o que deveria ser feito, já que houve certo relaxamento no distanciamento social. Mas aí é que está! A foto é de hoje (01.07.20), mesmo dia do bloqueio para impedir a entrada na cidade. Se o vírus está espalhado em Ribeira do Pombal, a única utilidade do bloqueio é impedir que o povo de Ribeira do Pombal contamine os visitantes, já que a circulação do vírus vai contaminar mais pessoas, como muito bem retrata a foto.

Certo é que estamos na lista de futuros banquetes da Covid-19, caso tais incoerências não se dissipem. Não adianta pensar que vamos quebrar porque paramos 4, 5 ou 6 meses. Já tivemos longas secas que destruíram rebanhos inteiros, que dizimaram plantações por anos e fizeram nossos irmãos migrarem para outras terras. E sobrevivemos. Não tentem enfrentar o óbvio. Na região Nordeste da Bahia, região de saúde da Sesab, até ontem, 30 de junho, foram 1.652 casos confirmados, com 34 mortes. Ao todo temos 648 casos ativos. Portanto, ainda dá para controlar, mas é preciso não fazer besteira.

E por falar em besteira, a foto original deste artigo, tinha escrito: “Pombal hoje KKK”. Não sei se foi Gordo de Dadá quem escreveu ou alguém de quem ele postou a foto. Eu não acredito que uma pessoa que queira administrar uma cidade faça esse tipo de coisa. Ou foi escárnio ou satisfação. Nenhuma das duas alternativas cai bem. Não é hora para brincadeiras ou alegrias fortuitas, principalmente para um político que faz oposição. Faça a crítica séria e a credibilidade virá. No mais, não vou ficar aqui jogando palavras para explicar aos nossos governantes como devem agir. Eu, sendo prefeito, seguiria a Ciência. Estamos nesta situação porque muitos ainda estão acreditando em outras coisas. E só não estamos pior porque muitos estão sintonizados. Digo estão porque não é ainda hora de relaxar. Se começarmos a fazer a coisa certa, em setembro começaremos a ter resultados.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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