Um Lugar no Sertão

Paripiranga desde Malhada Vermelha

Igreja Matriz de Paripiranga- Bahia. (Foto: Landisvalth Lima)

Neste episódio de Um Lugar no Sertão vamos conhecer um município que tem um nome singular: Paripiranga. A origem da denominação é tupi e, fazendo a separação dos radicais, significa pari (espécie de armadilha de pesca) e pyranga (vermelho), relação com a localidade onde se originou o município: Malhada Vermelha, abundante em terrenos argilosos vermelhos.  A cidade está localizada no nordeste do estado da Bahia, na divisa com Sergipe, distante apenas 7 kms da cidade de Simão Dias. Sua área territorial é de 442,186 km², abrigando uma população de 26.604 pessoas, pelo censo de 2022, o que dá uma densidade demográfica de 60,16 habitantes por km². O IBGE estimou sua população para 2025 em 27.860 pessoas. O município faz limites com Pinhão, Simão Dias e Poço Verde – em Sergipe; Adustina e Coronel João Sá – na Bahia. Paripiranga está a 110 km de Aracaju-Se e 340 km de Salvador.  

Praça central de Paripiramga. (Foto: Landisvalth Lima)

A região onde está localizado o município de Paripiranga fica totalmente inclusa no chamado Polígono das Secas, tendo clima semiárido e vegetação da caatinga. O nome primitivo da povoação que deu origem era Malhada Vermelha, habitada por índios de uma tribo denominada Vermelhos, provavelmente pertencente à família dos tapuias. Os colonizadores chegaram ao local no século XVII, quando colonos portugueses se fixaram em suas terras. É daí que nasce a povoação de Malhada Vermelha. Mais tarde, o fazendeiro José Antônio de Menezes ergue uma capela dedicada à Nossa Senhora do Patrocínio, filiada à freguesia de Nossa Senhora do Bom Conselho dos Montes do Boqueirão. Por sua vez, nasce o segundo nome: Patrocínio do Coité. Para se entender a segunda parte do nome, havia, na área oriental do município, uma árvore denominada coité. A capela foi elevada à categoria de freguesia com o nome de Nossa Senhora do Patrocínio do Coité e o distrito nasce pela Lei Provincial nº 1.168, de 22 de maio de 1871, pertencente a Bom Conselho.

Paripiranga ainda preserva traços arquitetônicos do início do século passado. (Foto: Landisvalth Lima)

A condição de vila da localidade de Patrocínio do Coité chega após 15 anos de sua condição de distrito, fato ocorrido após Lei Provincial nº 2.553, de 1º de maio de 1886, desmembrada do município Bom Conselho, atual Cícero Dantas. O novo município nasce constituído de apenas o distrito sede e a instalação oficial se deu apenas em 1º de fevereiro de 1888. Os distritos do município nascem a partir de 1920, quando Patrocínio do Coité passa a ter 4 deles: Patrocínio do Coité (a sede), Apertado de Pedras/Barreiras, Queimadas e Saco. O nome atual nasce pelo Decreto Estadual nº 7.341, de 30 de março de 1931, quando Patrocínio do Coité passa a ser Paripiranga.

A cidade tem praças modernas e arejadas. (Foto: Landisvalth Lima)

Uma curiosidade é que o antigo distrito, que pertencia a Bom Conselho, passou a ser sede de município. Isto ocorreu por meio do Decreto nº 7.479, de 08 de julho de 1931, quando Paripiranga adquiriu o extinto município de Cícero Dantas, que passou a ser simples distrito. Essa situação não chegou a durar 2 anos. Pelo Decreto nº 8.447, de 27 de maio de 1933, desmembra do município de Paripiranga o distrito de Cícero Dantas, elevado novamente à categoria de município. Nesta época, Paripiranga voltou a figurar como município de um só distrito. Somente em 1938 é criado o distrito de Adustina, que virou município em 1989. Hoje, Paripiranga é constituído de apenas o distrito sede.

Parte considerável das ruas centrais estão asfaltadas. (Foto: Landisvalth Lima)

Quem visitar Paripiranga vai ter muito o que conhecer: a Praça da Fonte Luminosa, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, o Estádio José Gaiola Filho, o Gaiolão, o Shopping VIDAM, o Centro Universitário Ages e as paisagens marcantes protagonizadas pelo rio Vaza-Barris, que corta o município. Mas sua maior riqueza está na força e dedicação do seu povo. Do município saíram vários homens e mulheres que se destacam Brasil a fora. Começou bem lá em épocas distantes com o professor Marcionillo, apenas mencionado em registros históricos, tido como um dos iniciadores da vida educacional na cidade, até chegarmos a pesquisadores e escritores locais, como Ana Maria Ferreira de Oliveira, Maria Nely dos Santos e Uilder do Espírito Santo Celestino, que estudaram e pu blicaram sobre a história de Paripiranga. Também vale destacar Antônio Santana Carregosa, que publicou em 2019 o livro Entre Padres e Coronéis, voltado para a história do município.

Palmeiras dão um toque especial à praça principal de Paripiranga. (Foto: Landisvalth Lima)

Como muitas comunidades do sertão, Paripiranga viveu episódios trágicos ligados a conflitos políticos locais. Exemplo foi o assassinato do médico José Carlos Bezerra Carvalho, conhecido como Dr. Zé Carlos, ocorrido em 2 de maio de 2014, em Paripiranga (BA). Ele foi morto a tiros na cabeça quando saía de uma academia. O crime abalou profundamente a cidade e, segundo investigações, teve motivação política. Em 2024, após dez anos, os acusados foram finalmente julgados e condenados. Em 2025, o provável mandante teve seu julgamento anulado e saiu da penitenciária. Dr. José Carlos era do Partido dos Trabalhadores.

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Por outro lado, não há registros de desastres naturais de grande escala, como enchentes. Entretanto, Paripiranga sofreu com períodos de estiagem. Isso não impediu que o município mesclasse agricultura de subsistência com culturas comerciais de destaque, como o tomate e o milho. Além disso, podemos destacar a pecuária leiteira e de corte, compondo uma economia agropecuária típica e bem desenvolvida no sertão baiano. Hoje, é centro universitário que recebe estudantes dos estados da Bahia e Sergipe e promete um futuro promissor como um centro regional de destaque.

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