Um Lugar no Sertão

Ponto Novo nasceu de uma obra no Itapicuru

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, em Ponto Novo-BA. (Foto: Landisvalth Lima)

Em mais um novo episódio de Um Lugar no Sertão, Contraprosa chega hoje ao jovem município de Ponto Novo, servido pelo rio Itapicuru-Açu, que nasce entre Antônio Gonçalves e Campo Formoso, passa pelo território e tem uma represa, a Barragem de Ponto Novo, distante 6 km do centro da cidade. A área territorial do município é de 530,143 km², onde reside uma população de 17.938 pessoas, pelo censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 33,84 hab/km². Ponto Novo faz limites com Filadélfia, Caldeirão Grande, Saúde, Pindobaçu, Queimadas, Capim Grosso e  Itiúba. A distância para Salvador é de 328 km. O IBGE estimou sua população para o ano de 2025 em 18.763 pessoas. 

O centro comercial de Ponto Novo é bem desenvolvido. (Foto: Landisvalth Lima)

A história da formação de Ponto Novo começa com seu território originalmente habitado por diversas etnias indígenas, entre as quais se destaca o povo Payayá, pertencente ao grupo dos tapuias. Esses povos ocupavam a região compreendida entre Jacobina e o Vale do Paraguaçu, numa área conhecida como o Sertão das Jacobinas. Em 1706, os Payayás foram reunidos por missionários franciscanos no Aldeamento de Bom Jesus da Glória de Jacobina, criado com o objetivo de promover a catequese indígena. Isso provocou o despovoamento da região entre os séculos XVII e XIX. Os índios que não se submeteram ao aldeamento foram mortos ou expulsos, abrindo espaço para a chegada dos grandes fazendeiros.  

Vista parcial do centro de Ponto Novo. (Foto: Landisvalth Lima)

A região virou um grande latifúndio e foi abandonada pelo governo durante os séculos XIX e XX. Os primeiros habitantes fixos do lugar eram posseiros e chegaram a partir de 1940. Nasce então um pequeno povoado à margem direita do rio Itapicuru-Açu, em terras pertencentes à Fazenda Capim Grosso, de propriedade dos latifundiários Agnelo Pereira do Amaral e Leovigildo Ferreira da Silva. Essa fazenda localizava-se na porção norte do município de Saúde, na microrregião de Jacobina.

Na praça central da cidade, há um monumento à barragem do açude. (Foto: Landisvalth Lima)

O povoado de Ponto Novo surgiu a partir da convivência entre famílias de posseiros, lavradores e operários que trabalharam na construção de uma ponte sobre o rio Itapicuru-Açu. Essa obra fazia parte de uma estrada implantada pelo Governo do Estado da Bahia com o propósito de ligar Feira de Santana a Juazeiro, o que impulsionou o desenvolvimento local e fixou os primeiros núcleos populacionais estáveis. Em 31 de dezembro de 1953, a Lei Estadual nº 628 eleva o povoado oficialmente à categoria de distrito, recebendo o nome de distrito de Ponto Novo, pertencente ao município de Saúde.

A praça central de Ponto Novo é imensa. (Foto: Landisvalth Lima)

Uma nova lei transforma novamente a realidade do lugar. Pela Lei Estadual nº 1.689, de 25 de abril de 1962, o distrito de Ponto Novo deixou de pertencer a Saúde e passou a integrar o recém-criado município de Caldeirão Grande. Mas o distrito cresceu ainda mais com o asfaltamento da BR 407, que liga Senhor do Bonfim à BR 324, em Capim Grosso. Com o fim da Ditadura Militar, nasce a Constituição de 1988 e as demandas de várias localidades começam a ganhar corpo para suas independências administrativas. As reivindicações pela emancipação foram acolhidas pela Assembleia Legislativa da Bahia, que aprovou a criação do novo município por meio da Lei Estadual nº 4.837, de 24 de fevereiro de 1989, desmembrando-o de Caldeirão Grande. A instalação oficial do município de Ponto Novo ocorreu em 1º de janeiro de 1990, marcando o início de sua trajetória política e administrativa autônoma, com a posse do 1º prefeito e vereadores.

A cidade de Ponto Novo é viva, esperta e altiva, de um povo amigueiro e trabalhador. Recomendamos uma visita à cidade na sua principal festa popular, celebrada em junho: o São João de Ponto Novo, com shows musicais, quadrilhas juninas, comidas típicas e decoração temática. A festa popular atrai moradores de toda a região do Piemonte Norte do Itapicuru. Mas há ainda Feiras de Artesanato e Cultura, com exposição de produtos locais, como bordados, cerâmica, doces caseiros e arte em madeira, sempre nos fins de semana. E tem a festa da padroeira, Nossa Senhora de Fátima, que movimenta a cidade com missas, procissões e celebrações.

Dê um clique na imagem acima para assistir ao documentário no YouTube.

Para aqueles que são amantes da natureza, há o Parque Natural Municipal de Ponto Novo, uma área de preservação com trilhas, vegetação nativa e espaço para lazer. E, claro, não podia faltar o Rio Itapicuru, que passa pela cidade e é ponto de encontro para pescadores e moradores. Os principais acessos ao município são asfaltados, tanto a BR 407, para Senhor do Bonfim ou Capim Grosso, quanto a BA 375, que liga a cidade a Caldeirão Grande e Saúde.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *