Poucas & Boas 2019.19

O concurso e o limite

Ricardo Maia pisou na bola com o concurso de Ribeira do Pombal (foto: Divulgação)

O prefeito de Ribeira do Pombal, Ricardo Maia, parece que chegou ao limite. Alguém precisa dizer a ele que Aspirina é um bom remédio, mas, uma vez usada em excesso, pode causar choque cardiovascular e insuficiência respiratória. Também é bom que ele saiba que ter 14 dos 15 vereadores não faz dele um superdotado alcaide. Tudo tem limite. Fazer um concurso daquela magnitude, com 12 mil inscritos, numa arrecadação que ultrapassou meio milhão de reais, pode levar uma pessoa à consagração ou ao inferno. Ter 12 mil línguas revoltadas, espalhadas nos quatro cantos deste país, é um desastre para qualquer ser humano. E não adianta ter maioria em Câmara de Vereadores ou dizer que a culpa é do Ministério Público. É hora de colocar a bola no chão, organizar o time e ter humildade. Não se pode ter tudo.

Barracão deu chabu

Roberto Barracão deixou o cavalo selado passar

Há certas pessoas que têm uma única oportunidade na vida para se firmar politicamente. É aquela história do cavalo passar selado uma única vez. E parece que a vez de Roberto Barracão passou. Quem imaginava uma virada de mesa na política de Poço Verde quebrou a cara. Na última pesquisa divulgada pelo Instituto Padrão, o vice-prefeito estava com 10% e Iggor Oliveira com 16%. A administração do filho de Everaldo é um desastre anunciado e só havia uma possibilidade para o grupo: dar espaço a um nome novo. Era a vez de Barracão. Agora isso já passou. Barracão e Iggor são unha e carne, irmãos de sangue, amigos inseparáveis. Prontos para, juntos, perderem ou ganharem em 2020. Mas já se vê um derrotado, seja lá qual for o resultado: o próprio Barracão. O vice trocou o ideal do novo por uma atitude conservadora. Barracão fez a política de sempre. Deu chabu.

Na moita

É incrível como o tempo passa e os políticos não mudam. Ficamos a imaginar que o processo político é uma forma de renovação, inclusive de métodos, comportamentos, projetos. Onde está a oposição de Poço Verde que não apresenta um projeto de futuro para o município? A única coisa que fazem é participar de eventos diversos e postar nas redes sociais encontros regados a abraços, comidas e barangandãs. E parece que a fórmula é imitada em toda a região. Em todas as conversas e rodas políticas falam em Edna Borges, Lourinaldo Lisboa… Só nomes! Ninguém diz como vai resolver o problema da folha de pagamento, quais obras são prioritárias, como fazer para tirar a educação do buraco em que se encontra, como vai gerar emprego e renda etc. É a política de ficar na moita, esperando que o povo tenha raiva do prefeito e vote naquele mais provável vencedor.

Cuidado com o pessimismo

As pessoas confundem ser cauteloso com ser pessimista. Na política de Heliópolis não há grupo mais pessimista que o grupo liderado pelo prefeito Ildinho. Na eleição passada, vários líderes tinham uma velha choradeira de sempre iniciar as reuniões com “se não fizer isso vamos perder” ou “família fulano pulou, vamos perder”. É um ai meu Deus de doer na alma. Pois, acreditem, mesmo tendo desta vez um candidato liderando as pesquisas, um prefeito bem avaliado, maioria na Câmara de Vereadores, todas contas até aqui aprovadas, deputados atuantes, vereadores bem cotados… Eles estão aí, firmes e fortes. “Ai, meu Deus! Ronaldo vai pular! Vamos perder!”. Estão mais para fazer filme de terror que política!

Cuidado com o otimismo

Já no grupo de oposição tudo é pra cima! Arriba, muchachos! E tome-lhe vitória com tantos de frente. São otimistas de irritar! Na eleição passada usaram o argumento de que o povo de Heliópolis não gostava de reeleger prefeito. Bateram nesta tecla até o resultado se concretizar. Agora vivem a espalhar otimismo, mesmo que seja mentira. O lado bom dos opositores é que a bola deles nunca está murcha e se alimentam de esperança, apegando-se a um detalhe ou outro. Isto é bom, mas pode frustrar. Tudo na conta vale, mas o excesso sempre atrapalha. Em Heliópolis há dois extremos: um governo perigosamente pessimista e uma oposição que parece não conhecer outro resultado a não ser a vitória, mesmo sendo derrotada por duas eleições seguidas.

BA 084

Muita gente não sabe, mas há uma rodovia estadual que nasce em Pedro Alexandre e vai até a BR 324, perto de Salvador. Ela passa por Adustina, entra em Fátima, segue por Heliópolis e chega a Ribeira do Amparo. Poucos trechos dela são asfaltados. Um deles é entre Ribeira do Amparo e Cipó. O outro é entre Fátima (BA 220) e Adustina. De Fátima até Ribeira do Amparo, passando por Heliópolis e pelos povoados Raspador e Barroca é só chão e poeira. Sugerimos a união dos prefeitos de Heliópolis, Fátima e Ribeira do Amparo para o asfaltamento desta rodovia. Não é mais possível relegar estas comunidades a tanto abandono. São apenas pouco mais de 60 quilômetros que facilitarão a vida de cerca de 50 mil moradores. Que tal?

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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