Poucas & Boas 2020.06

Novo coronavírus e velha corrupção I

Desembargadora Sandra Inês Rusciolelli presa nesta terça-feira pela Polícia Federal (foto: O Globo)

Parece que os bandidos do colarinho branco não se recolheram para evitar a contaminação pelo novo coronavírus e continuaram contaminados pelo vírus da corrupção. Mas uma boa vacina foi a Polícia Federal, que parece não ter parado nestes tempos de Covid-19. Assim, foi decretada a 5ª fase da Operação Faroeste, que tenta pôr fim à venda de sentenças de magistrados baianos, que beneficiam bandidos e empresas no Oeste do estado. Nem mesmo o vírus Covid-19 meteu medo naqueles que deveriam dar exemplo de como seguir leis neste país.

Novo coronavírus e velha corrupção II

No portal Bahia Notícias vem todos os detalhes da operação, que contou com a ajuda de um advogado: Júlio César Cavalcanti Ferreira. Este, segundo o ministro Og Fernandes, do STJ, “serviu de fio condutor para a audaciosa investida criminosa da Desembargadora SANDRA INÊS RUSCIOLELLI, seu filho VASCO RUSCIOLELLI, o advogado VANDERLEI CHILANTE e o produtor rural NELSON JOSÉ VIGOLO, representante da Bom Jesus Agropecuária, de modo a pacificar criminosamente a litigiosidade na região sob investigação e permitir a efetivação da decisão do Conselho Nacional de Justiça”. A PF monitorou ainda um encontro entre Júlio César e Vasco Ruscionelli, filho da desembargadora, num prédio em Salvador, para a logística da ação.

O voto vendido de Sandra Inês

O voto vendido da desembargadora foi o de um mandado de segurança avaliado no dia 21 de janeiro deste ano, e relatado por Sandra Inês. Em fevereiro, o Pleno do TJ Bahia anulou a Portaria 105/2015, da Corregedoria das Comarcas do Interior, que cancelava as matrículas 726/727, de mais de 300 mil hectares de terra em Formosa do Rio Preto, no oeste baiano. Tais terras eram alvos de uma disputa judicial com o borracheiro José Valter Dias e mexia com a vida de 336 proprietários de terras. A decisão, pautada em detalhes técnicos, beneficiava a Bom Jesus Agropecuária.

Siga o dinheiro

A PF e o advogado marcaram a numeração das cédulas da propina. O valor combinado foi entregue por Júlio César dentro de um motel, já na Bahia. A transação federal foi com o filho de Sandra, o também advogado Vasco Rusciolelli, que levou os 250 mil em uma mochila a um estabelecimento de ensino universitário para sua namorada. Esta última levou toda a grana para o apartamento da desembargadora. O dinheiro veio da Bom Jesus Agropecuária, entregue ao advogado Vanderlei Chilante, em Rondonópolis – Mato Grosso, que depois entregou ao advogado Júlio César, o delator. A Polícia Federal comparou o número de série das cédulas entregues por Vanderlei com as que foram apreendidas em Salvador, havendo coincidência entre os números. No total, foram encontrados R$ 258.900: R$ 208.800,00 dentro de um Jaguar que estava na garagem; R$ 15.100 com um funcionário da desembargadora; e R$ 35.000 em um dos quartos da casa de Vasco. A propina total combinada com a Bom Jesus Agropecuária seria de 1 milhão de reais.

Prisão e afastamento

A desembargadora Sandra Inês Rusciolelli foi presa na manhã desta terça-feira (24), em Praia do Forte, Salvador, por ordem do Superior Tribunal de Justiça – STJ. A Corte determinou a prisão temporária da magistrada e dos advogados Vasco Rusciollelli, o filho dela, e Vanderlei Chilante, este em Rondonópolis – MT. A Operação Faroeste está em sua 5ª fase da Operação e visa desarticular esquema criminoso voltado à venda de decisões judiciais, por juízes e desembargadores, do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Os crimes investigados, além de corrupção ativa e passiva, são lavagem de ativos, evasão de divisas, organização criminosa e tráfico de influência. Foi ainda determinado o afastamento da desembargadora de suas funções por um ano, que também estará proibida de acessar as dependências do TJ-BA, bem como se comunicar com funcionários ou utilizar serviços do tribunal. Será que ainda há dúvida sobre seu envolvimento no esquema? Ah! Sim, claro. É o chamado “direito de defesa” ou a ideia de que você só pode ser considerado condenado quando ocorrer o “trânsito em julgado”. Isso funciona para estes “supostos” criminosos.

Chegando de São Paulo

A prefeitura de Heliópolis está tomando todas as medidas cabíveis, necessárias, na dosagem certa. Não há, até aqui, nenhum problema de comportamento ou técnico nas medidas de combate ao novo coronavírus. Podem faltar as condições, mas jamais a inteligência e a boa vontade. A secretária de saúde, Regiane Oliveira, e toda equipe da pasta estão de parabéns. Os funcionários da saúde estão dando exemplo de como enfrentar uma crise. O prefeito Ildinho deve está com um orgulho do tamanho de Heliópolis. Até os Decretos e medidas estão sendo discutidos antes de publicados. Uma bênção. Se o grupo político fizesse política como está administrando a crise do Covid-19, certamente nem mesmo haveria oposição. Até mesmo com a chegada dos filhos da terra que moram em São Paulo a coisa foi nota 10. Foram instaladas tendas nesta tarde, nas entradas da cidade, para receber os remunicipalizados. Quem apresentar algum sintoma será encaminhado ao serviço de saúde. Os demais serão orientados a ficar os 14 dias em quarentena. E todos os funcionários equipados devidamente. Estamos numa civilização!

Mas….

Nem tudo é ouro nesta vida. Há aqueles que levam tudo para o lado da politicagem, ignorância e o escambau. E não estou aqui falando dos falsos pregadores que alardeiam ser o Covid-19 coisa de Satanás. Afinal, foram eles que inventaram? É difícil resolver algo num país com tanta gente sem educação… e muitos por teimosia! E não vou citar nomes para não dizer também que estou fazendo politicagem. Mas o fato, sim. Uma foto com os funcionários da prefeitura em ação, todos equipados de máscaras, etc. Um maldoso fez uma observação porque alguns estavam de sandália. Afinal, alguém poderia espirar nos pés e o rapaz levar os membros inferiores até a orelha, boca ou nariz. Meu Deus!!!

Turma do contra

Tem gente que não tem mesmo o que fazer e busca algo para se ocupar, de preferência azucrinando pessoas. Enquanto ACM Neto e Rui Costa dão exemplos, unindo forças para salvar o maior número de vidas, numa postura republicana, políticos do interior usam o coronavírus para fazer disparates. Ao ver que alguém havia chegado de São Paulo, uma vereadora em Heliópolis ligou para o pessoal da saúde para dar orientações aos que chegavam e também ver se tinham algum problema. Medida correta. Já um vereador da oposição, quando soube da ação da vereadora, talvez para ganhar o voto, ou por maldade mesmo, foi dizer ao rapaz quem havia “denunciado” sua chegada. Insanidade. Mas não foi só isso. Quando soube que a prefeitura decidiu vacinar os idosos em suas residências, um também vereador da oposição conseguiu encontrar defeitos na ação. Só para não ficar nos casos de Heliópolis, alguns prefeitos de nossa região resolveram fazer uma ação absurda: impedir o acesso de pessoas e veículos às cidades. Já não se trata de Covid-19. É o coronavírus da eleição 2020.

Polícia Militar

Cabe aqui também um elogio ao trabalho incessante da Polícia Militar em Heliópolis. Eles estão sendo rigorosos, mas perfeitos. Primeiro orientam, explicam, depois mandam para casa. Em bares da Serra dos Correias, Viuveira, Sapé, Jiboia e outras localidades, parecia dia de domingo ou feriado. Quem achou que a coisa estava errada, ligou para a PM e lá foram os policias. É preciso entender que se pode sair de casa, desde que para fazer algo inadiável. Evite aglomerações. Heliópolis não tem nenhum contaminado por Covid-19 e aguarda apenas um caso suspeito, que esperamos ser negativo. Precisamos continuar sadios. Ajude-nos e se ajude.   

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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