Poucas & Boas: A vice que veio, a política fria e o autossofrimento

Abaixo de zero

Eriksson Silva e Zé Grilo: campanha morna (foto: Portal Alerta)

Se tivéssemos que analisar o processo político em nossa região pela temperatura, Ribeira do Pombal estaria abaixo de zero. A política por lá está fria, quase congelando. O entusiasmo ainda é baixo. O primeiro motivo é a Covid-19 e o outro é a falta de certeza da construção de uma chapa forte da oposição. O principal nome, o ex-prefeito José Lourenço Morais da Silva Júnior, o conhecidíssimo Zé Grilo, está empanturrado de senões que impedem a candidatura. O provável vice – Gordo de Dadá – tem melhores chances de se livrar dos impedimentos, mas sem Grilo no palanque, as chances são remotas.

Disputa acirrada

O que se avizinha no horizonte da política de Ribeira do Pombal é um grande contraste. Se a disputa do executivo está morna e mais ou menos caminhando para o óbvio, está acirrada a disputa por uma vaga na Câmara Municipal. O radialista Joilson Costa diz que Pombal terá uns 60 candidatos a vereador. Só o PL vai lançar 17 nomes, todos no apoio a Éricksson Silva. O PT também vai querer garantir 1 ou 2 vagas e, se não lançar 10 ou 12 nomes, não chega nem perto do quociente eleitoral, que oscila em torno dos 2 mil votos.  Para completar, tem o PSD com chapa completa. E não se pode desprezar os candidatos da oposição, que têm um cabedal de votos considerável. O eleitor pode se preparar para receber muitas visitas.

A novela do vice de Mendonça

Ex-vereadora Naudinha

Parece ter sido um alívio muito grande. Se cada popoco de fogos representasse um aliviador do estresse, o pessoal do PL/MDB estaria com o modo zen acionado. E não é para menos. Nunca foi fácil labutar com Zé do Sertão, imagine tirá-lo da disputa. A verdade é que o grupo não queria o ex-prefeito na chapa. Claro que Mendonça, como político de experiência, jamais diria que rejeitava o neo companheiro. Mas que ele está aliviado, isso ninguém nega. O ideal mesmo seria receber o apoio dele sem precisar estar ninguém ligado a ele na chapa. Naudinha como vice é apenas um alívio, um analgésico. Ainda há muita coisa a resolver, porque o objetivo de salvar Claudivan Alves ainda não foi atingido.

Grupo dividido

José Mendonça Dantas

E foi exatamente o voto de Claudivan, ou o desejo de que ele continue vereador, que selou Josefa Naudija como vice de Mendonça. Uma fonte me passou que muitas figuras desejavam cair fora ou cruzar os braços caso Zé do Sertão fosse confirmado na chapa. Resta saber se a solução de colocar a mulher resolve. Nos bastidores há uma informação de que, pelo menos, os votos de alguns parentes da ex-vereadora, que não seguiam o marido, já podem ser contabilizados para o candidato do PL. Mas ainda há muitos que sabem que Naudinha não fará nada que Zé do Sertão não queira. A mudança é apenas no visual. Além disso, Zé do Sertão vai ficar fora do palanque? Como o grupo de Aroaldo Barbosa vai reagir, já que ficou fora da executiva? A escolha de Naudinha como vice é uma espécie de trégua. Os gritos ouvidos na reunião do grupo estavam mais para uma guerra que para uma discussão. Agora, o barulho que se ouve são dos fogos de artifícios. Mas até quando?

Nilda vereadora?

Ninguém fala nada que possa resolver o imbróglio, mas há uma versão indicativa de que só foi possível liberar o MDB porque Zé do Sertão aceitou apoiar Nilda como vereadora. Se isso for verdade, como Nilda espera se eleger com os votos de Zé do Sertão, se o atual vice-prefeito não conseguiu eleger a filha. Só se tiver a garantia dos “Bernardos”. Se ele não consegue transferir votos para a filha, como conseguirá transferência para Nilda? Outra versão indica que Zé do Sertão pode sair candidato a vereador e rifar Nilda. Para Claudivan, quanto mais candidatos mais garantido estará o seu futuro mandato. Quem não esta nada satisfeito com esta história, caso seja verdadeira, é Vitor Marrocos.

“The teacher vice Mayor”

Quem certamente não soltou fogos foi o professor Rocky. Convidado por Zé do Sertão para filiar-se ao MDB e ser vice, virou uma candidatura interrogativa para vereador.  Dizem até que os companheiros quase foram às vias de fato. Amigos dizem que votariam nele se fosse vice, porque muitos já têm compromissos para vereador. No grupo do prefeito, professor Rocky tinha sua candidatura tranquila ao cargo de edil. Agora, caso saia candidato a vereador, tem contra si o fato de a chapa ser fraca e, caso consiga uma vaga, é provável que não seja a sua. Foi em busca da vice e está sem rumo. Para não desanimar as pessoas, fica dizendo que ainda não está nada definido, que política é como nuvens e que tudo pode mudar a qualquer hora. É verdade, mas só uma tempestade fará Rocky virar vice Mayor.

Autossofrimento

Os políticos são tidos como exemplos de traição e outras coisas ruins. Tanto é verdade que, quando um político faz uma coisa absurda, sempre tem alguém para dizer que é coisa da política. Isso não é verdade. Chamem do que quiser: ingratidão, mau-caratismo, traição. É possível, sim, fazer política com honestidade. Mas não são só os políticos que dão maus exemplos. Há eleitores também que fazem das suas. Dou como exemplo uma professora que, por ser adversária, foi transferida, logo após a licença maternidade, da sede do município para a escola mais longe possível. Tinha que levar a criança para amamentá-la. Numa rede amarrada numa árvore, o pequeno aguardava a mãe ou ressonava. Numa eleição, lá estava a professora pedindo votos e lutando para eleger os mesmos que a perseguiram. Isso não é coisa comum da política. O nome disso é masoquismo.  

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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