Poucas & Boas: Barracão, Aires, Edna, Lourinaldo e o negacionismo

Eleição aberta

Edna Dória

Se em Heliópolis (Thiago Andrade), Fátima (Binho de Alfredo) e Ribeira do Pombal (Eriksson) iniciarão o pleito eleitoral em vantagem, como atestaram pesquisas, o mesmo não se pode dizer de Cícero Dantas e Poço Verde. A Serra do Boqueirão poderá testemunhar uma das mais disputadas eleições dos últimos tempos, a ponto de pessoas mandarem todas as atitudes em devesa do novo coronavírus para as cucuias. Dr.Ricardo (atual prefeito) vai batalhar cada voto com o empresário Kael. Em Sergipe, no vizinho município de Poço Verde, as parcas águas do Rio Real indicam que se trata da eleição mais aberta dos últimos tempos. Edna Dória, Roberto Barracão e Iggor Oliveira (atual prefeito) são os protagonistas de uma disputa que pode ter um vencedor com apenas 35% dos votos válidos.

Lourinaldo vereador

Professor Lourinaldo

A candidatura a prefeito de Lourinaldo Lisboa não vingou. O Cidadania, partido do professor, publicou nota informando a decisão. Lourinaldo será, mais uma vez, candidato a vereador. O partido do Senador Alessandro Vieira pretende lançar 9 a 10 candidatos a vereador e sonha com 2 cadeiras na Câmara. A decisão do partido jogou mais esperança na chapa liderada pelo vice-prefeito Roberto Barracão, do PSC, que passa agora a ser a única aposta distante dos dois grupos. Há quem diga que, se Lourinaldo quisesse, seria o vice preferido dos três futuros candidatos. Na nota, o Cidadania também descartou aliança com os grupos tradicionais da cidade.

Barracão e Aires

Roberto Barracão

A grande sacada eleitoral de Poço Verde foi a união PT/PSC. Barracão não exitou em pedir apoio e ofertar aos petistas a chapa para o legislativo municipal. Os vereadores Gilson Rosário e Leo de Fonsinho já representam o PT na Câmara Municipal de Poço Verde, com perspectiva de mais nomes do partido na próxima legislatura. Para refrescar a memória do leitor, Leo de Fonsinho foi eleito pelo PCdoB e Gilson Rosário era do PMN. Ambos tiveram 605 votos e serão os puxadores de votos da chapa petista, que lançará 13 nomes. Os analistas falam em 3 ou 4 nomes eleitos. Do PT velho de guerra, o melhor nome é de Aires Nascimento, ou Aires do Sindicato, que foi convidada por Barracão para ser a vice. Ninguém duvida que o nome da sindicalista deu maior charme e visibilidade ao nome de Barracão. Aires chegou até a pensar em ir para a vereança, caso Lourinaldo topasse a vice de Barracão.

Grupos ou Famílias?

Aires do Sindicato

Com um discurso afiado, Aires Nascimento vai causar na chapa de Barracão. A sindicalista chama a atenção que em Poço Verde nunca houve disputa de grupos políticos. “Grupo é o que representamos com PT, PSC, PCdoB e outros. Aqui em Poço Verde é disputa de famílias!”, numa clara referencia aos Dória e Oliveira. A argumentação de Aires é pertinente porque se olharmos para as candidaturas do passado, ligadas aos dois grupos, são listados os sobrinhos, filhos e esposa. E já antecipando o tom da campanha, Aires solta o verbo e questiona Edna Dória. “Ela precisa deixar claro quem é o candidato: Ela ou o marido?”.

A Buracolândia

Mesmo depois de anunciarem a recuperação da BA 393, nada foi feito até agora. Tudo piora como dantes no buraco adiante. Em Sergipe, a rodovia que liga Poço Verde a Tobias Barreto é caso de desmoralização para qualquer governo. De Poço Verde a Triunfo, em Simão Dias, ainda não terminaram de tapar os buracos. Para não dizer que não há notícia boa, anunciaram o asfaltamento da BA 084, no trecho do povoado Raspador até Ribeira do Amparo. Depois de pronta, quem mora em Heliópolis pode optar para ir Salvador pela BR 110/116 ou 110/101, mas para chegar ao asfalto bom rodará 18 quilômetros em ambas as direções. Só o povoado Rio Real, em Poço Verde, ficará a 7 quilômetros do asfalto em direção a Salvador. Até lá, nossa região virará uma buracolândia qualquer.

O pulo do gato

Fontes fidedignas deste portal informam que há uma probabilidade de 80% de uma liderança política forte e proba abandonar o grupo político até o início da campanha. O descontentamento já vinha de longe e a pessoa foi sendo isolada, mas se manteve quieta. Esta semana, não suportou mais e soltou uma frase carregada de insatisfação. A palavra ingratidão foi a que mais apareceu. Perguntado se podia anunciar, disse que não era hora e que ainda não estava completamente decidido. Fato: não será o primeiro e nem o último.

Pandemia de intolerância

O negacionismo está gerando uma classe de intolerantes no país. Donos de bares e restaurantes estão sofrendo com pessoas que insistem em não utilizar máscaras nos locais indicados, onde já há certa flexibilização do distanciamento social. Muitos se sentem constrangidos em pedir aos clientes que só podem adentrar com o uso de máscara. Imagens mostram pessoas reagindo mal ao pedido do uso do utensílio. Num shopping, uma pessoa foi medir a temperatura de um rapaz e foi agredido, além de quebrar muitas coisas no local. Depois de apanhar muito, o trabalhador resolveu reagir e deu uma surra no negacionista. Talvez muitos ajam assim porque sabem que jamais haverá reação, mas há sempre um dia em que tudo acontece fora do protocolo.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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