Prado: vasto litoral e tranquilidade quase infinita

Como a maioria dos municípios brasileiros, Prado tem origem indígena. Os primeiros habitantes já estavam aqui há muito tempo. Eram os Aymorés, índios que, no poema I-Juca Pirama, do poeta maranhense Gonçalves Dias, derrotaram os índios Tupis e eram antropófagos. Quando o local virou uma aldeia, os índios por aqui eram apenas descendentes dos Aymorés. Já não devoravam carne humana, apenas lutavam para sobreviver da caça e da pesca às margens do rio Jucuruçu, que passa ao lado direito da cidade, quase na deságua do rio no oceano Atlântico. A primeira povoação data de 1755, quando a aldeia de Jucuruçu foi elevada à categoria de Vila por carta régia de 3 de março de 1755, sendo vice-rei D. Luiz Pedro Peregrino de carvalho Menezes de Ataíde, 10º Conde de Antagônia, que também criou o município com o nome de Prado. 

Por volta de 1884, a chegada de famílias procedentes de outros municípios motivou o progresso. Construiu-se a Casa da Câmara e abriram-se as primeiras estradas para tropas. Em 1886, com a elevação da vila à cidade, inaugurou-se a iluminação a querosene. Prado significa campo coberto de relva. O município faz parte da Costa do Descobrimentos, vizinho de Porto Seguro e Caravelas. Até hoje ainda há desavenças quanto ao local exato da chegada de Pedro Álvares Cabral. Segundo a maioria dos historiadores, foi na Barra do rio Cahy, no município de Prado, localizada mais ao norte, próximo à divisa com Porto Seguro, que a frota de Pedro Álvares Cabral desembarcou em 23 de abril de 1500, tomando posse do Brasil em nome de Portugal.

No centro da tranquila cidade de quase 30 mil habitantes, localizada no extremo sul baiano, há um troféu ao sagrado. Trata-se da Igreja Nossa Senhora da Purificação, que completará em 2020 exatos 225 anos de construída. Nos primeiros tempos a igreja era de taipa. A Paróquia de Nossa Senhora da Purificação do Prado foi criada, por alvará, em 20 de outubro de 1795. Só em 1853 a Igreja recebeu uma doação para a construção do retábulo. Até 2 de maio de 1888, documentos indicam que a Igreja ainda estava por acabar. Hoje, lá está a igreja de Nossa Senhora da Purificação como monumento principal do centro cidade de Prado, sempre majestosa e soberana. Na festa da padroeira, que ocorre em 2 de fevereiro, ela vira palco a profecia de fé de três irmandades: a do Sagrado Coração de Jesus, a Irmandade do Divino e a Irmandade de São Benedito, de tradição negra.

A vida do município de Prado está quase que totalmente ligada ao turismo. Seu vasto litoral, do Jucuruçu ao Cahy, atrai pessoas do mundo inteiro. Todos em busca da tranquilidade, da paz e da interação homem/natureza. Tudo em Prado é tranquilo, mesmo nas noites mais agitadas, quando, nas vielas repletas de bares e restaurantes, os turistas procuram os sabores da culinária pradense, regados, evidentemente, à inseparável cerveja.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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