Prefeito atrasa salários e professores cruzam os braços

Servidores da educação de Fátima em Assembleia do SINDFA (foto: Moisés Reis/Facebook)

Estava demorando muito para que o prefeito de Fátima, Manoel Messias, o Sorria, perfilasse em nossas redes sociais com mais uma de suas barbeiragens administrativas. Mais uma vez, o sorridente prefeito, só no nome, escolheu o seu saco de pancadas preferido: o servidor da educação, mirando certeiro no coração do professor. É que os salários do mês de setembro ainda não tinham sido pagos até esta sexta-feira (11). O SINDFA – Sindicato dos Servidores de Fátima, em Assembleia Geral realizada na quarta-feira (09), na Escola idivânia de Oliveira Menezes, comunicou à Secretaria de Educação que os servidores estavam de braços cruzados.

Para evitar maiores prejuízos aos alunos, o movimento paredista não é por tempo indeterminado. A paralisação iniciada dia 9 foi até esta sexta-feira (11), para dar tempo ao prefeito de organizar os pagamentos. Na segunda-feira (14), quarta-feira (16) e quinta-feira (17) os professores voltarão às salas de aula. Se o pagamento não for realizado até a quinta, 17 horas, os professores e todos os demais servidores cruzarão os braços novamente. Como se vê, os profissionais da educação estão agindo de forma ética e profissional. Inclusive, o comunicado de todo o movimento foi informado pela presidente do SINDFA – Maria Elany Andrade Oliveira, detalhadamente, à secretária municipal de educação Isa Borges.

O maltrato aos professores e funcionários da educação não é apenas atraso de salários. O prefeito Sorria não cumpre um conjunto de direitos que compõe o Plano Municipal de Educação e o Plano de Carreira do Magistério. A ação do alcaide é a noção exata de que muitos prefeitos, na Bahia, formam uma casta social onde o chicote da Lei jamais alcançará. Acumulam condenações, multas, processos e, por conseguirem estranhamente maioria popular em seus rincões, sempre escapam da crueldade das grades dos presídios.

Para tentar encobrir os fatos, o Prefeitura Municipal de Fátima divulgou nota nas redes sociais chamando atenção de pais e alunos. Diz o comunicado oficioso:

A Prefeitura de Fátima comunica que não há nenhuma alteração no calendário escolar da rede municipal, portanto seguem as aulas normalmente.

Ciente dos problemas causados pela crise financeira relacionada à receita do FUNDEB a Prefeitura buscou e busca de todas as formas resolver, na medida do possível, os transtornos causados aos professores.

Considerando a grande importância da categoria, o setor jurídico da gestão negociou com o Sindicato dos Professores, colocando várias propostas e sugestões, dentro do que a realidade permite.

Infelizmente, pessoas com interesses políticos tentam tumultuar a negociação e levam inverdades à população, instigando professores, pais e alunos contra a prefeitura. Portanto a greve é ilegal.

A prefeitura deixa claro, mais uma vez, que busca de todas as formas dar fim o quanto antes ao impasse e que todos os outros serviços, como transporte e merenda escolar, estão 100% garantidos.

Por fim, reiteramos à estrita observância aos princípios que norteiam a Administração Pública, agindo com probidade, legalidade e publicidade dos nossos atos. Renovamos o nosso compromisso com a transparência e colaboração com a sociedade e a educação municipal, em respeito a toda a população do nosso município.”

Assina a nota a Secretaria de Educação, Prefeitura de Fátima e Assessoria de Comunicação.

Traduzindo tudo: o problema é sempre do outro.

A programação do Feijão Fest 2019 indica que há dinheiro sobrando em Fátima (foto: Ascom/Divulgação)

Quem conhece Fátima e participou do Feijão Fest, agora em setembro, não acredita em uma vírgula da nota. A programação não é de uma cidade que está em crise. Agora veremos como agirá o Ministério Público da Bahia. Em Sergipe, prefeito que atrasa salários não pode fazer festa. Embora nosso povo tenha um amor irremediável pela diversão, é preciso entender que o futuro de uma nação não está na realização dos grandes eventos festivos, mas no nível educacional do seu povo. Se há crise, as prioridades são sempre saúde e educação. Mas o prefeito Sorria é do tempo ainda do copo de cachaça e da batida do ganzá como fundamentais para torná-lo popular. Se der algo errado, a culpa é “deles” ou “estou sendo perseguido” ou “eles não respeitam a vontade do povo”. O populismo é um câncer da nossa combalida democracia.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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