Professores entram em greve mais uma vez por tempo indeterminado

Greve dos professores de Sergipe decretada a 20 dias do término do ano letivo (foto: Sergipe Notícias)

Os professores da rede estadual do estado de Sergipe cruzaram os braços mais uma vez. Além de sofrer com a perspectiva de não receber o 13º, os servidores da educação veem o governador Belivaldo Chagas, que foi eleito para sanar os problemas, enviar projetos à Assembleia Legislativa tirando direitos dos profissionais da educação. Optou o governo por uma solução mais comum: colocar a conta da incompetência administrativa no histórico saco de pancadas dos governos de todos os tempos.

Os professores se reuniram na manhã desta terça-feira, 26, e ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) e a Praça Fausto Cardoso para reivindicar o apoio dos deputados estaduais e pressionar o governador Belivaldo Chagas a recuar quanto ao envio dos Projetos de Lei Complementares – PLCs – 16/2019 e 17/2019, que alteram regras na carreira dos professores. O ato marca o primeiro dia de greve da categoria, cuja paralisação não possui data determinada para ser finalizada. Vale acrescentar que a categoria votou e fez campanha para o governador. Injustiça e ingratidão.

Em nota, o Governo de Sergipe se defendeu informando que os projetos enviados a Assembleia Legislativa não diminuem salários, não retiram triênios de professores aposentados, nem tampouco da ativa. “Para acabar com qualquer interpretação por parte do Sintese, o governo vai mandar uma emenda que deixa o artigo do Projeto de Lei ainda mais claro”, explica.

A nota também cita que o momento não é propício para uma paralisação e identifica que tal movimento gerará transtornos para os estudantes e a continuidade do ano letivo. Como sempre, o governador usa os estudantes como escudo. “Faltam pouco mais 20 dias para a conclusão do ano letivo 2019. Uma greve neste momento prejudica principalmente o aluno. Pela primeira vez em pouco mais de 23 anos o calendário está unificado em todas as escolas da Rede Estadual. Com previsão para férias em 20 de dezembro e retorno 10 de fevereiro 2020, a greve também prejudica o professor que em vez de usufruir de suas férias precisarão repor aulas”, complementa.

Liderados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), os educadores iniciaram a mobilização nas primeiras horas da manhã e permaneceram mobilizados até o final da sessão legislativa, de acordo com informações do jornalista Daniel Rezende, do portal Infonet. “Fazemos hoje um movimento lindo contra a retirada de direitos e de importância para todos nós. O objetivo é pressionar os deputados a retirarem esses projetos da Alese, porque, a nosso ver, ele destrói direitos e economiza quase nada, muito pouco para o Estado”, explica o diretor do Sintese, professor Joel Almeida.

 Além de pegar a categoria numa hora extremamente imprópria, no fim do ano letivo, o governador se mostrou arrogante e não chamou a categoria para negociar. Foi o que disse o deputado Iran Barbosa, do PT. “O Governo entrega com a alegação de que precisa rearrumar a estrutura da carreira. Ele não dá explicações porque não dialoga. O governador prometeu ainda em campanha, à diretoria do Sintese, que as medidas relacionadas à educação só seriam tomadas a partir de um processo de debate, mas isso não está acontecendo”, relata o deputado, que também critica o modo de atuação do governo.

Fato é que Belivaldo Chagas não trouxe nada de novo para Sergipe. Sempre foi assim que agiram outros governadores. Quando a folha de pagamento fica apertada, são mantidos os privilégios dos nomeados políticos e sacrificado o servidor efetivo. Isso só mudará com a mudança do voto dado, mas até mesmo os professores caíram na lábia do galego.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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