Qual explicação possível quando um pai mata filhos?
O caso envolvendo Thales Naves Alves Machado, secretário de Governo de Itumbiara–GO e genro do prefeito da cidade, vai além do que se sabe sobre comportamento humano. Thales matou seus dois filhos na madrugada de 12 de fevereiro de 2026, no condomínio onde a família morava. Ele atirou contra os dois filhos, Miguel (12 anos) e Benício (8 anos). Miguel morreu no local; Benício foi levado ao hospital, mas faleceu no dia seguinte. Após atirar nos filhos, Thales tirou a própria vida.
Do ponto de vista da psicologia, ainda não há uma explicação definitiva para esse caso. Ele deixou mensagens nas redes sociais e uma carta mencionando problemas familiares e uma suposta traição como motivo. Pouco antes, publicou um vídeo com os filhos dizendo: “Papai ama muito”. Para este caso de Itumbiara, especialistas têm levantado algumas reflexões importantes com perspectivas psicológicas sobre o caso.
O primeiro lance envolve provavelmente ruptura emocional extrema. Psicólogos descrevem que tragédias como essa não se resumem a luto, mas a uma ruptura completa da realidade para os familiares e para a comunidade, como se “o chão fosse arrancado”.
Um psicanalista levantou a hipótese de necessidade de posse e controle. Afirmou que Thales não agiu por dor, mas por uma lógica de posse. Ou seja, em vez de lidar com a frustração da suposta traição e separação de fato, ele teria transformado os filhos em objetos de sua vingança, o que revela uma dinâmica de poder e controle, não de amor.
O episódio revela ainda a questão da cultura da culpa materna. Muitos comentários nas redes sociais direcionaram a responsabilidade para a esposa, o que especialistas apontam como reflexo de uma cultura que frequentemente culpabiliza mulheres em situações de violência, mesmo quando são vítimas.
Também não se pode esquecer as questões de saúde mental e violência doméstica. Casos assim são analisados como manifestações extremas de sofrimento psíquico associado a traços de violência doméstica, onde o agressor não consegue elaborar perdas ou frustrações sem recorrer à destruição.
A psicologia não vê esse tipo de ato como resultado de uma única causa, mas como um conjunto de fatores emocionais, culturais e relacionais. O que chama atenção é que a violência não foi dirigida apenas à esposa, mas aos filhos, o que reforça a ideia de que se tratava de um gesto de poder e destruição, não de dor amorosa.
A Polícia Civil trata o caso como homicídio consumado e tentado, seguido de suicídio. O inquérito segue em andamento para esclarecer as circunstâncias. Curioso é que o nível mental da sociedade sofre sérios problemas. A esposa de Thales, filha do prefeito de Itumbiara, passou a ser alvo de ataques nas redes sociais, acusada de traição, o que gerou debates sobre culpabilização da vítima e violência digital.
Para completar a tragédia, sabe-se hoje que a separação do casal aconteceu há 5 meses. O prefeito deixou Thales como secretário para não mais complicar a situação e na esperança de tudo ser resolvido da melhor maneira. Não aconteceu. O episódio, além de chocar o país, levantou discussões sobre saúde mental, violência doméstica e responsabilidade social diante de tragédias familiares. Nunca estivemos num nível mental decadente como agora.
Imagem destaque: Thales Azevedo. (Foto: Reprodução)
