“Quarentena relaxada” ou “Flertando com a morte”

Pequenas aglomerações se formam no centro de Heliópolis e contribuem para possível proliferação do Covid-19 (foto: Landisvalth Lima)

Se eu tivesse que escrever um romance sobre estes tempos de pandemia, e o cenário fosse a cidade de Heliópolis, ou qualquer uma da nossa região, ficaria na dúvida de qual destes dois títulos daria. Hoje precisei sair de casa para providenciar uma bomba d’água e fiquei pasmo com o tanto de gente que havia no centro de Heliópolis. Após alguns telefonemas, percebi que algumas cidades repetiam perigosamente o gesto. Em contato com algumas pessoas, disseram que ainda não havia nenhum caso confirmado por aqui. Estas pessoas se esquecem de que é exatamente por causa do isolamento que o vírus ainda não chegou. Para outra questionei sobre pessoas que vinham de outros estados, inclusive com casos gritantes de corona vírus. A resposta foi que entregava nas mãos de Deus.

Apesar disso, percebi que na Lotérica havia um certo distanciamento, embora alguns não estivessem nem aí. Vi em algumas lojas abertas, só as autorizadas, funcionários com uso de máscaras e certas medidas de higiene. Mas tudo ainda é muito pouco se a quarentena é quebrada para ficar apenas sentado na calçada batendo papo com os amigos. Será que precisaremos chegar ao nível da Itália, Espanha ou Estados Unidos para levarmos a sério? Não acredito ter sido as loucuras de Jair Bolsonaro que tenham feito este povo relaxar tanto. Conheço muitos que acreditam no Diabo, mas não acham que este coronavírus chegue por aqui. Tomara que estejam certos, mas não vou pagar para ver.

Somente agora já estão descobrindo porque o vírus é tão letal. Ele sobrevive por cerca de três horas no ar e pode ficar no corpo de uma pessoa por mais de dez dias, sem que esta venha a sentir algum sintoma. Pior, o ser assintomático passa o vírus adiante. Ainda há muito o que descobrir sobre este inimigo quase oculto. Isto não é brincadeira! Isto é ciência! É o esforço de milhares de estudiosos, inclusive muitos já mortos tentando nos salvar. Enquanto isso, o que fazemos? O mínimo aceitável é seguir as recomendações do Ministério da Saúde, da Sesab e da Secretaria Municipal de Saúde do seu município. Essa pandemia é tão perigosa que fez dois adversários políticos se unirem para enfrentar a doença: o governador Rui Costa e o prefeito de Salvador ACM Neto. Eles sabem que a vida do povo é mais importante que disputas passageiras.

Assim, fazemos um apelo: Fique em casa! Quédate en casa! Stay at home! Blein zu Hause! Restez à la maison! Só saia se for para algo absolutamente necessário!

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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