Ricardo Maia e o nascimento de um novo coronelato

Ricardo Maia (acima) e os vitoriosos Ricardo Maia Filho (Tucano), Eriksson (R. do Pombal) e Mendonça (Heliópolis). (foto/montagem: Contraprosa)

Ricardo Maia é o mais novo fenômeno eleitoral da região Nordeste da Bahia. Em números aproximados, comandará uma população de 120 mil habitantes. Ele venceu as eleições em Heliópolis, Tucano e Ribeira do Pombal. Se em Heliópolis ele terá que dividir o bolo com ciganos, agiotas e o empresário Celso Oliveira, o mesmo não acontecerá nos outros dois municípios. Em Tucano foi eleito seu filho, Ricardo Maia, com expressivos 14.166 votos, um pouco abaixo da metade dos votos válidos. Com apenas 21 anos, Ricardo Maia Filho será o mais jovem prefeito da Bahia e sua primeira experiência administrativa.

Há quem diga que o eleitorado tucanense apostou na juventude e no futuro. Quem conhece política em nossa região sabe que isso é uma balela. Nos bastidores falam que a eleição veio regrada a uma das maiores negociatas já vista na história. A renúncia de Arilton Dantas Júnior (PSB) pavimentou a caminhada de Ricardo Maia (PSD) ao assento de alcaide municipal. As cifras são na casa dos milhões. Ninguém vai confirmar a história desta transação comercial com o voto do povo de Tucano, mas ela está em todas as bocas. Difícil será materializá-la para apuração dos fatos, principalmente quando temos promotores desacreditados no processo judicial no Brasil.

A eleição em Tucano foi vencida com uma diferença de 3.471 votos para o principal concorrente, o Rubinho. Quem imaginava que seria mais difícil que a disputa em Ribeira do Pombal, enganou-se. Na terra de Oliveira Brito, a margem foi bem menor: 1.641 votos à frente de Nay de Zé Grilo. Está claro que Ricardo Maia pai sabia que não perderia de jeito algum em Pombal. Centrou suas forças em Tucano e Heliópolis.

Após a tripla vitória, as empresas estão de prontidão para uma longa lista de trabalhos. Como adoramos fantasias para regar a nossa alma e justificar vitórias, são empresas de amigos de Ricardo Maia. Também para aumentar um pouco a balela, o filho gastou em Tucano apenas 53 mil, com doação de 3 mil do próprio pai. Eriksson, em Pombal, gastou um pouco mais: 93.600 reais. Em Heliópolis, Ricardo Maia nem mesmo precisou doar nada. Não teve nem mesmo recursos partidários. Venceram Thiago Andrade com a merreca de 13.650 reais. Afinal, é assim que nasce um novo coronel, regado a mentiras e negociatas.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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