Saiba como é a Trilha Ecológica da Santa Cruz da Ponta da Serra

Nesta sexta-feira da Paixão de Cristo, há peregrinações em vários lugares país afora, para marcar esta data tão marcante no calendário cristão. Na nossa região, além de missas, cultos, procissões nas cidades e povoações, há um lugar visitado por centenas de fiéis: a capela Santa Cruz da Ponta da Serra, na Serra do Capitão, em Adustina. Contraprosa esteve lá, ao lado do canal TVRR, de Raimundo Rabelo, de Adustina – @TVRRraimundorabeloAdustinaba, familiares e amigos.

Essa coisa de explorar lugares altos não é nova, nem aqui, nem no mundo. Há um padrão recorrente em diversas culturas e religiões de buscar lugares altos para expressar a fé, mas não é universal nem exclusivo. Montanhas, colinas e templos elevados simbolizam proximidade com o divino, embora muitas tradições também valorizem locais planos ou subterrâneos como espaços sagrados.
Só para completar a informação, os lugares altos simbolizam a proximidade com o céu. Montanhas e colinas são vistas como pontos de contato entre o humano e o divino. Estar mais próximo do céu reforça a ideia de transcendência. Os exemplos são muitos: o Monte Sinai (Judaísmo e Cristianismo), onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos; o Monte Olimpo (Mitologia Grega), a morada dos deuses; templos Maias e Astecas, construídos em pirâmides para aproximar os rituais dos deuses; o Monte Kailash (Hinduísmo e Budismo), considerado sagrado e inacessível. No cristianismo medieval, muitas catedrais foram erguidas em colinas ou pontos elevados. Além disso, havia uma função prática porque locais altos também ofereciam proteção militar e visibilidade para peregrinos, reforçando o caráter sagrado e estratégico.

Mas nem sempre tudo acontece da mesma forma. Apesar da recorrência, não é uma regra absoluta. Precisamos observar que, em Jerusalém, cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, não está localizada numa montanha imponente, mas numa região de colinas moderadas. Meca (Islã), a Kaaba está numa planície, e ainda assim é o centro espiritual mais importante para os muçulmanos. Ainda podemos citar Amritsar (Sikhismo), o Templo Dourado está numa área plana, cercado por água. Por fim, catacumbas cristãs em Roma, locais subterrâneos usados para culto e sepultamento, também são considerados sagrados.

Tudo isso dito para mostrar que a capela Santa Cruz da Ponta da Serra não é exclusiva, mas pode, sim, funcionar como local sagrado, perfeito para os fiéis pagarem promessas. A capela está lotada de oferendas e registros de graças alcançadas. Lá encontramos dona Nininha, de Paripiranga. Ela sofreu um acidente e foi parar em hospitais em Aracaju, desenganada, com passaporte quase certo para o outro lado da vida. Ela estava lá, lúcida, com saúde, devotando a sua fé, agradecendo a oportunidade de continuar a caminhar pela vida.
A Serra do Capitão, onde está localizada a capela Santa Cruz da Ponta da Serra, tem, segundo mapas topográficos e bases como GeoNames e Mapcarta, uma altitude de cerca de 289 metros, relativamente ao nível do mar. O local exato da capela não é o ponto culminante da elevação, mas fica acima dos 250 metros.

Para chegar até lá, há dois caminhos: um do lado sul, onde é possível chegar de motocicleta, desde que tenha habilidade e não esteja com garupa, e no lado leste, onde se localiza a Trilha Ecológica da Santa Cruz da Ponta da Serra. São 2080 metros, com subida íngreme e pedregosa, e duração entre 40 a 60 minutos para subir e 20 a 30 para descer. O trajeto possui 15 estações, nomeadas com valores humanos universais. A primeira estação é chamada Fé e a última é designada por Vida. É aconselhável levar água. Não há infraestrutura no local para atender peregrinos e amantes de trilhas com grau acentuado de dificuldade.
