São Pedro de Heliópolis 2019: erros e acertos

A entrada principal já era um convite ao forró (foto: Landisvalth Lima)

Não adianta ficar antecipando ideias de fracasso do São Pedro de Heliópolis. A festa está consolidada como uma das maiores da nossa região, senão a maior. Só uma catástrofe para transformá-la em algo diminuto. Passado o evento, é hora de planejar as próximas futuras festas. Para isso, precisamos enumerar erros e acertos.

Ornamentação

Não há o que reclamar da ornamentação. Perfeita. Espera-se que haja uma variação de um ano para outro. Seria interessante acrescentar bandeiras do município de Heliópolis e da Bahia, dando um ar mais cívico e educativo.

Estrutura

Não há necessidade de dizer que a praça de eventos já se consolidou como o local adequado e perfeito para o São Pedro. Seu formato já um espetáculo. Estruturar uma festa ali é uma bênção, mas é preciso que a visão para o palco fique livre. Observar que algumas barracas e enfeites acabaram tirando a visão do palco em algum ponto da praça.

A recepção

A principal porta de entrada do São Pedro de Heliópolis, ao lado da farmácia Mais Saúde, trouxe uma inovação. Havia um trio Pé de Serra tocando forró num pavimento superior. A ideia foi fantástica. Ocorre que o som estava sendo engolido pelos sons dos paredões espalhados pelas ruas do entorno. Ou se coloca um som mais potente ou estabelece uma parada dos paredões após determinada hora. Não dá para concorrer. Sugerimos que haja um cômodo após a recepção, com um piso próprio para se dançar. Seria um bom aperitivo para quem está chegando, além dos trios de forrós mostrarem o produto originalmente. O pavimento superior seria usado para outra coisa.

A Barraca Luiz Gonzaga

Foi a mais importante ideia deste ano do São Pedro de Heliópolis. Nota dez! Só que precisa ser aprimorada. O local da barraca não foi o adequado. Se o objetivo foi habitar mais aquele ambiente, faltou divulgação. Outra, não tem como um trio Pé de Serra disputar com atrações regadas ao som de Ricardo Sá. É preciso dar visibilidade maior, além de um piso adequado para dançar. Cheguei a pensar que o forró autêntico estava sendo expulso da nossa maior festa, mas a Barraca Luiz Gonzaga resgatou o legado do Rei do Baião. E antes que alguém venha e diga que é conservadorismo, é mesmo! A arte tem uma identidade que passa pelo tempo e estimula o novo. Como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade: devemos olhar sempre para o passado, aderir ao presente e projetar o futuro. E não há futuro de uma árvore se não regarmos suas raízes.

Segurança e Saúde

Muito bem estruturada, com a Polícia Militar, seguranças particulares contratados e Corpo de Bombeiros, além de ambulâncias, enfermeiros e médicos na retaguarda, a área de Segurança e Saúde teve uma atuação impecável. Os poucos problemas que ocorreram, quase sempre provocados pelo excesso de álcool, tiveram pronto atendimento, fazendo retornar a normalidade rapidamente. Só tivemos um único probleminha que poderia ter virado um problemão. Em certos momentos, o acesso ao evento pela rua Leopoldino Pereira, em frente à casa de Luís de Salu, estava livre, sem detector de metais ou segurança.

Comunicação

Os comunicadores devem receber um bom salário porque dão tudo que podem no São Pedro de Heliópolis. Ricardo e Val Santos são comunicadores de primeira e já viraram marcas da festa. Val Santos, inclusive, adotou o estilo de Ricardo, locutor que acabou criando um padrão inconfundível. Por outro lado, falta um trabalho de auxílio aos jornalistas. Não há disponibilidade de fotos, vídeos e informações precisas. O nosso amigo Diney estava só e não podia cobrir tudo. Precisamos de uma equipe de comunicação para a imprensa. Se não fosse a TV Atitude, não teríamos imagens de algumas bandas. Nem sempre é possível estar o tempo todo no evento. Não basta os organizadores pensarem que as páginas das redes sociais da prefeitura são suficientes para cobrir o evento. Sexta-feira, com aquela chuvarada toda, boa parte da festa não teve a devida cobertura. É preciso corrigir isso e também a ideia de que é necessário pagar para ter algo divulgado. O custo existe para produzir a notícia. Só alguns cobram sua divulgação. Não é o nosso caso. Por fim, o som de Ricardo Sá continua perfeito e isso é um perigo. Nós já estamos ficando mal acostumados com sua perfeição.

Estacionamento

A prefeitura de Heliópolis precisa resolver definitivamente a questão da cobrança de estacionamento. A rua é pública. Para cobrar pelo estacionamento é preciso que haja um local de propriedade particular. O Flanelinha pode sim ficar por ali e aguardar alguma gorjeta por estar de olho, mas não se aceita cobrar 10 reais por um “estacionamento” em via pública. É preciso corrigir este problema. Nesta festa, um rapaz se irritou e não aceitou transformar as vias no entorno do cemitério como estacionamento. Ele estava corretíssimo.

Havia um parque no meio do caminho

Para não dizer que as sugestões são de uma única pessoa, trago a ideia do professor Gilberto Jacó. A praça que leva o nome de Dona Honorina, mãe dos ex-vereador Renilson Alves, é muito pequena e sem condições de abrigar um parque. Por que não transferi-lo para o espaço da  Rua das Pedrinhas? Voltaria a movimentar a antiga praça do São Pedro, permitiria maior mobilidade, redistribuindo trânsito e pessoas num espaço maior. Além disso, o local fica a poucos metros da Praça Isabel Ribeiro, onde se realiza o São Pedro de Heliópolis. E, caso Ildinho resolva recuperar a Praça da Rodoviária, como é mais conhecida, seria um ambiente para outras atividades culturais.

São Pedro de Heliópolis é investimento

É verdade que, em época de vacas magras, nenhum administrador pode pensar em gastar dinheiro em festa. O sagrado dinheiro público tem outras prioridades. Acontece que, aqui em Heliópolis, o São Pedro deixou de ser gasto e passou para a rubrica dos investimentos. E não precisa ser economista para observar o quanto o município cresce nos dias que antecedem ao evento. O que circula de riqueza é tão grande que, sem exageros, supera o Dia das Mães, a Festa do Sagrado Coração de Jesus, o Natal e o Ano Novo, juntos!

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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