Sorria persegue secretária de finanças do SINDFA

Elany, presidente, e Márcia, secretária de finanças, do SINDFA, os alvos da perseguição do prefeito Sorria. (foto: Landisvalth Lima)

Não sei onde li. Acho que talvez em algum artigo, mas anotei esta frase que, agora, ser-me-á muito útil para escrever este artigo. A autora é Martha Medeiros, que diz: “Paixão é a força motora que justifica nossa existência, mas a perseguição desenfreada por esse privilégio nos torna dementes, viramos parasitas de uma obsessão.” Vai aqui como abertura para que se possa entender o que faz o prefeito de Fátima, Manoel Missias Vieira, o Sorria, ao centrar seu tempo em perseguir servidores. A questão saiu do âmbito político e passou para o âmbito patológico. Sorria está doente. Doente de poder. Passa por uma fase de se acreditar poderoso, acima da Lei, do município e dos servidores. É factual até a escolha de um alvo fácil, comum, para que ele possa trucidar, esmagar e exibir ao público como consequência de seu poder, saciando o seu ego doentio. A vítima é a secretária de finanças do Sindicato dos Servidores de Fátima, Josefa Márcia do Nascimento.

Dizem que mente fazia é laboratório de Satanás, mas mente recheada de devaneios de poder é catastrófica. Sorria luta para que todos sintam paixão por ele. Detesta ser questionado. Lembra-me muito um ex-presidente que se achava tão puro quanto Cristo. Quem contrariar estes devaneios, vira alvo de perseguição. Josefa Márcia ajudou muito em várias reportagens deste portal, questionando os constantes atrasos de salários e perseguições aos servidores. Como a presidente do SINDFA, Maria Elany, está blindada, Sorria resolveu atingi-la atacando Márcia, a secretária de finanças. E tudo por uma mesquinharia. A secretária, eleita pelos servidores, está lotada na Escola Idivânia de Oliveira Menezes, antiga Floriano Peixoto, na função de assistente administrativo. Foi designada pela Portaria 016/2010, assinada pela então Prefeito José Ildefonso Borges dos Santos, o Nego, em 1 de fevereiro daquele ano. Márcia servia ao sindicato apenas por dois dias, ficando os outros três para o referido colégio. Apenas Elany, com carga horária total, e Márcia, por apenas 2 dias por semana, foram cedidas ao SINDFA pela administração municipal, embora seja legal designar até 6 servidores.

Em ofício mal elaborado, de nº 094, datado de 23 de julho de 2019, o prefeito Sorria requisita ao sindicato os dois dias trabalhados de Josefa Márcia do Nascimento no SINDFA alegando necessidade administrativa. Estava ali estabelecida a perseguição tácita. A servidora já providenciou o devido Mandado de Segurança, assinado pelo advogado Gabriel Fontes, de nº 8000.801.21.2019.8.05.0057, ainda sem solução. Márcia passou a se dedicar ao colégio todos os dias da semana, trabalhando no Sindicato nas horas vagas, até a Justiça resolver. Insatisfeito com o andamento do caso, provavelmente irritado por ver seu alvo escolhido com saúde e cumprindo as determinações, Sorria teve uma piora de sua patologia egocêntrica. Dia 18 de fevereiro deste ano, assinou a portaria de nº 048/2020, desta feita alegando interesse público, transferindo Josefa Márcia do Nascimento para a escola municipal Ubiratan Branco Oliveira, no final da avenida Nossa Senhora de Fátima, na saída para Cícero Dantas. Nesta sexta-feira (21), com as bênçãos do carnaval, Márcia recebeu o ofício 046/2019, mas assinado em 2020 por Lucas de Sousa Cardoso, respeitosamente comunicando sua nova lotação, alegando necessidade e justificando a legislação municipal. Uma balela!

Se realmente seguisse a Lei, jamais Sorria transferiria Josefa Márcia. No Plano Municipal de Educação – PME, aprovado em 2015, para prevalecer por 10 anos, diz que o servidor só será removido por vontade expressa, quando atingir 4 anos de exercício no setor. Márcia trabalha há quase 10 anos na Escola Idivânia Oliveira. Além disso, a Constituição Estadual, a Constituição Federal ou Emendas Constitucionais deixam bem claro que os sindicatos podem ter um pequeno número de servidores cedidos para administrar a entidade. Também há artigos que garantem a estabilidade no setor de trabalho. O que Sorria fez não é necessidade pública. O nome disto é perseguição política mesquinha, ordinária, selvagem, medieval, grosseira, idiota. Sugerimos ao prefeito que pare de perseguir os servidores de Fátima. Eles lutam pelos seus direitos e cumprem seus deveres. Eles não são obrigados a se apaixonarem por prefeito nenhum, principalmente se este atrasa seus salários. Sorria deveria usar o precioso tempo do seu mandato para administrar o município de Fátima, de forma eficiente e satisfatória, coisa que não vem acontecendo há muito tempo.  

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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