Tuberculose matou 295 baianos em 2018. Em Sergipe foram 47 óbitos

Números assustam: No Brasil foram 72 mil afetados, com 4.700 óbitos. Em Sergipe a doença alcançou 834 pessoas. A Bahia teve quase 4.800 casos de tuberculose em 2018

Não dá para entender como, apesar da evolução da ciência, ainda se morre vítima da Tuberculose no Brasil. Poderíamos até levantar a questão do negligenciamento que os governantes, quase sempre, dispensam à saúde pública. Entretanto, se olharmos os números da Organização Mundial da Saúde – OMS- perceberemos que a coisa é bem mais complexa. A tuberculose é doença grave, causada pelo bacilo de Koch, transmitida por meio das gotas da secreção respiratória, que se propagam pelo ar. Pasmem, foi a principal causa de morte na Europa e Estados Unidos até o início do século XX. Mas, mesmo nos dias de hoje, ela continua sendo considerada um problema de saúde pública, seja no Brasil ou em outros países industrializados.

No estado de Sergipe, por exemplo, este ano, já foram registrados 131 novos casos da doença. Em 2018, o menor estado brasileiro registrou 834 casos de tuberculose. O número é maior do que o quantitativo de 2017, quando foram 714 registros da doença. Os números foram divulgados agora em abril pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. De acordo com a SES, a tuberculose está presente em todo o território sergipano, porém os casos mais graves se concentram nas áreas metropolitanas, sendo os municípios de Aracaju e São Cristóvão os que possuem mais registros. Da nossa região, Lagarto aparece com 30 casos, Tobias Barreto 21 e Simão Dias 14.

As autoridades reafirmam que a doença é perfeitamente curável com o tratamento oferecido pelo SUS. Mesmo assim, ainda há muitos óbitos, principalmente porque inúmeros pacientes abandonam o tratamento, de longa duração. Entre os casos novos, nos últimos cinco anos, 235 pessoas morreram. Em 2018, dos 836 casos novos registrados em Sergipe, 47 foram a óbito.

A infectologista e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia, Segurança do Paciente e Infecção Hospitalar (NESPIH/Huse), Iza Lobo, diz que tratar a doença de forma correta é uma medida importante para o controle da doença. “O tratamento deve ser levado a sério, não pode haver interrupção, muito menos o abandono, pois pode haver agravamento da doença e comprometer o organismo. Muitas pessoas interrompem o tratamento quando os sintomas desaparecem. Por ser de longa duração, o tratamento deve ser completado, independente da melhora no quadro”, explicou

Na Bahia, de acordo com a Secretaria de Saúde (Sesab), em 2018 foram registrados 4.750 novos casos da doença. Desses, 295 foram a óbito. Dentro do mesmo período, a capital baiana registrou 1.561 casos e 75 mortes. Neste ano, 2019, o órgão informou que, até o início do mês de março, 489 pessoas contraíram a tuberculose, sendo 21 óbitos no estado. Em Salvador, o número de casos foi a 155, com sete mortes. A Bahia ocupa o 3º lugar com maior carga da doença no país. No geral, são 4.500 casos diagnosticados anualmente. O problema é que apenas pouco mais de seis em cada dez pessoas são curadas.

Para prevenir a doença desde a infância é recomendável a vacina BCG logo na maternidade ou nos primeiros dias de vida. Orienta-se, também, que todo aquele que tiver contato próximo com um paciente infectado, seja examinado para que se verifique se houve contaminação. De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS), foram registrados mais de 72 mil casos de tuberculose em todo o país no ano passado. A média anual de casos preocupa. De acordo com a pasta, a doença ainda mata cerca de 4,7 mil pessoas em todo o país. Em nível mundial, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), 10,4 milhões de pessoas adoeceram de tuberculose no mundo, e cerca de 1,3 milhões morreram em decorrência da doença, no ano de 2016. 

(Com Tribuna da Bahia e F5 News)

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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