Um Bolsonaro encabulado anuncia socorro de 88,2 bilhões a estados e municípios

Bolsonaro vive um dia de presidente (foto: InfoMoney)

Bazófia. Esta é a palavra que resume o comportamento do presidente Jair Bolsonaro, e ele não a pratica por involuntarismo, mas por necessidade. Precisa alimentar o seu exército de soldados cibernéticos famintos, seres quase inumanos que querem um mundo onde eles possam ser felizes se deliciando com a desgraça alheia. Fico a imaginar o que eles fariam se vivessem a sós, sem ter uma vítima petista para triturar. Hoje, o político Bolsonaro falou mais alto. Deve ter dado uma olhada nas pesquisas ou alguém deve ter dito que ele estava em quase isolamento. Seja lá o que, sua postura hoje foi reta. Abriu a conversa com a imprensa em Brasília, elogiou a postura dos 16 governadores – 9 do Nordeste e 7 do Norte, na reunião acontecida hoje na capital. Falou em trabalho conjunto, em time e disse que o principal era o combate ao vírus. Em seguida revelou a liberação de 88,2 bilhões para estados, municípios e pastas ministeriais. Já não era mais o Bolsonaro fazendo pirotecnia para a torcida. Agiu como Presidente da República, mesmo encabulado.

Mas calma duas vezes. Não esperem que Bolsonaro mantenha o comportamento. Pode ter sido alguma pressão, ou até mesmo um vírus – o da sabedoria. É bom lembrar que toda contaminação é passageira e pode ser curável. Também não pensem que a coisa foi de graça. Não existe almoço sem custo. O que ele está querendo é apoio para as medidas que virão por aí, um pacote que suspenderá contratos por até 4 meses. Será mais uma facada no bolso já furado do trabalhador. Quem também pagará a conta será o governo, ou seja, nós também. Tudo para salvar as empresas, com a justificativa infalível de preservar os empregos. Os empresários no Brasil, há exceções, não gostam de sacrifícios. Ou o governo os ajuda ou demitem, cortam custos. Querem o lucro fácil e detestam flertar com os riscos da atividade empresarial. Foi assim sempre. Não importa quem esteja no trono de presidente, um operário, um vampiro ou um mitológico capitão. Nada mudou.

Também não fiquem pensando que os 88,2 bilhões são grana pura. Entram na conta a suspensão do pagamento da dívida por 6 meses, abertura de crédito especial para estados que não podem mais renegociar dívidas, garantia de preservação da arrecadação, já que haverá queda da atividade econômica, e outras medidas direcionadas ao combate dos efeitos catastróficos do Covid-19 na área social. Para completar, fora do pacote, provavelmente para deixar petistas preocupados, ampliou o campo de beneficiados do Bolsa Família. Os números falam em mais de 14 milhões de famílias atendidas. Em suma, foi um socorro soberbo. Com estas medidas, estados e municípios não precisarão respirar por aparelhos, a não ser que haja malversação do dinheiro público. Não me surpreende que alguns governadores e prefeitos reclamem e digam que foi muito pouco. O bom administrador saberá fazer o certo, embora saibamos que nada está fácil. O que não se deve é aproveitar o momento de crise para fazer o que não se deve.   

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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