Val do Gado é executado a tiros em Heliópolis

Val do Gado foi assassinado na BA 393, próximo a Heliópolis (foto-montagem: Contraprosa)

Joseval Rocha Santos, 52 anos, conhecido popularmente pelo apelido de Val do Gado, conhecidíssimo comerciante de bovinos de toda a região, seguia com sua motocicleta Bros, placa IAM 1295, licença de Poço Verde-SE, para cuidar de afazeres em sua propriedade, localizada próximo ao povoado Angico, no município de Fátima. Levava na moto um saco de cimento comprado em Heliópolis. Por volta das 14:10, no km 1,5 da BA 393, sentido Sergipe, um veículo desconhecido se aproximou e ouviram o primeiro disparo. O tiro de escopeta calibre 12 pegou nas costas, na altura do ombro esquerdo. Val do Gado tentou se livrar indo para o acostamento, mas tombou à margem da estrada. Veio então um segundo disparo, desta vez na cabeça, sem chance de reação.

Durante toda a tarde, enquanto a Polícia Militar resguardava o corpo à espera da Polícia Técnica e IML, a pergunta era uma só: quem seria capaz de matar um homem que nunca fez mal a ninguém? Val do Gado era assim conhecido por negociar rebanhos bovinos. Transitava de Heliópolis para sua fazenda com uma impecável calça jeans, camisa comprida e um característico chapéu de cowboy. Não se tem notícias de envolvimento dele com coisas erradas. Chegaram a divulgar que ele devia muito dinheiro a agiotas e isso poderia explicar sua execução sumária. Mas como, numa era como a nossa, um homem é assassinado por ter dívidas? Inclusive tinha posses e sempre honrava seus compromissos. Então, qual a explicação para tanta violência? Conversando com um soldado no local do crime, ele disse que não havia ainda nenhuma pista.

Já pela noite, o IML e a Polícia Técnica chegaram para recolher vestígios e levar o corpo para Euclides da Cunha, onde será necropsiado. O Contraprosa foi então à casa da família consternada para descobrir respostas para tantas dúvidas. Familiares comunicaram que Val do Gado estava com mais de 5 mil reais em dinheiro e que a grana não estava com o corpo. Afirmam que foi latrocínio. Se assim for, a polícia já tem uma pista e precisa dar uma resposta para que este crime não fique sem solução. O assassinato de Marquinhos Fontes, o último do ano passado, e o de Val do Gado, o primeiro de 2020 em Heliópolis, precisam ser resolvidos e os executores mandados para a prisão. Quem tiver mais informações, procure a Polícia Militar. Ninguém divulgará seu nome.

O corpo de Val do Gado chegará a Heliópolis por volta das 8 horas da manhã desta quinta-feira (06) e será velado na rua Francisca Alves, via localizada em frente ao Colégio Waldir Pires, em Heliópolis – Bahia. Ele deixou viúva e três filhos. Faria 53 anos em 21 de junho. O horário do enterro ainda não foi divulgado.

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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