Vaquejada realizada em Jeremoabo desafia o governo

O vídeo acima, postado por Mateus Molina no Facebook, é o flagrante mais cruel de como é difícil viver numa sociedade que se curva ao imediatismo, como se não houvesse amanhã. O fato aconteceu na cidade de Jeremoabo, localizada no Nordeste da Bahia. Uma vaquejada, realizada nesta sexta-feira (29) no Parque Antônio Flávio, coloca à prova todas as medidas difundidas de isolamento social. É a tese inconteste de que desafiamos a ciência, fato comum nos países com baixo nível educacional.

Também é um desafio às autoridades. O prefeito Derisvaldo José dos Santos – o Deri do Paloma – lançou nota de repúdio nas redes sociais afirmando que tomará todas as providências contra o evento, que ocorreu de forma ilegal e clandestina. Esperamos que algo seja feito. Caso contrário, ficará evidente a incompetência do alcaide, não só por ter deixado o fato acontecer debaixo do seu nariz, como por prevaricar diante desta bomba biológica em plena pandemia. Mas fica também uma pergunta: Como é possível realizar um evento com número considerável de pessoas, regado a som potente, numa cidade do porte de Jeremoabo e não ser interrompido?

O fato evidencia distanciamento entre governo e povo. Se foi realizado por pessoas com o intuito de desafiar as autoridades, estas precisam agir para não ficar a impressão de que há vacância nos cargos. Prefeito, secretário, delegado de polícia, policial militar, onde estavam todos? Ninguém para barrar o evento? Então leis, decretos, normas… Nada disso vale? A vaquejada realizada neste dia 29 de maio em Jeremoabo pode ser a resposta ao questionamento que ecoa em nossos ouvidos: Há ou não governo em Jeremoabo? 

Landisvalth Lima

Professor, escritor e jornalista. Editou os jornais A Voz da Região (Serrinha-Ba), Tribuna do Nordeste (Ribeira do Pombal-Ba) e A Voz do Sertão (Heliópolis-Ba). Trabalhou na Rádio Difusora de Serrinha e foi repórter colaborador dos jornais Correio da Bahia e Jornal da Bahia. É autor dos livros A mulher do Pé de Cabra, Cariri Sangrento e A Esquerda Bastarda (romances); Patologias Educacionais do Semiárido Baiano (Tratado) e O Avesso do Exato (poesia). Foi professor de Língua Portuguesa dos colégios Brasilia e Colégio do Salvador (Aracaju-Se), Waldir Pires (Heliópolis-Ba), Evência Brito (Ribeira do Pombal-Ba) e Colégio Professor João de Oliveira (Poço Verde-Se). Atualmente mantem o Landisvalth Blog, é professor e Vice-Diretor do Colégio Estadual José Dantas de Souza e administrador e editor do Contraprosa.

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