Memória curta

Bertha Lutz e a luta pela igualdade de gênero

Bertha Lutz nasceu em 2 de agosto de 1894, em São Paulo. Foi uma das maiores líderes feministas do Brasil, responsável por conquistas históricas como o direito ao voto feminino em 1932 e a defesa da igualdade de gênero na Carta da ONU em 1945. Além de ativista, Bertha foi cientista, política e educadora, deixando um legado que marcou profundamente a história dos direitos das mulheres.

Seus pais foram Adolfo Lutz – cientista pioneiro da medicina tropical, e Amy Fowler – enfermeira britânica. Bertha Lutz foi criada na Europa, formou-se em Ciências Naturais pela Sorbonne, em Paris, na França – e mais tarde em Direito pela UFRJ, em1933. Ingressou no Museu Nacional do Rio de Janeiro em 1919, tornando-se a segunda mulher a ocupar cargo no serviço público brasileiro.

Era especialista em anfíbios e chegou a ser chefe do setor de Botânica do Museu Nacional. Recebeu o título de professora emérita da UFRJ em 1965. Berta Lutz fundou em 1919 a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher e, em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que liderou o movimento sufragista no Brasil. Foi decisiva para que Getúlio Vargas assinasse, em 1932, o decreto que garantiu o voto feminino.

Bertha organizou o primeiro congresso feminista brasileiro e representou o país em eventos internacionais sobre direitos das mulheres. Em 1936, assumiu como deputada federal suplente, tornando-se a segunda mulher a ocupar o cargo no Brasil. Defendeu no congresso a igualdade salarial, redução da jornada de trabalho e a licença maternidade.

Em 1945, participou da Conferência de São Francisco, que fundou a ONU. Foi uma das quatro mulheres signatárias da Carta da ONU, defendendo a inclusão da igualdade de gênero no documento. Seu nome hoje está em escolas, ruas, prêmios e até espécies de anfíbios e répteis, sempre lembrada como símbolo da luta pela emancipação feminina e pela inclusão das mulheres na ciência e na política.

Faleceu em 16 de setembro de 1976, no Rio de Janeiro, aos 82 anos, vítima de pneumonia.

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