Do Sertão ao Centro-Oeste

Sapezal – Mato Grosso

Sapezal é uma das cidades que mais faturam com o agronegócio no Mato Grosso. (Foto: Landisvalth LIma)

Em mais um episódio da série Do Sertão ao Centro-Oeste, Contraprosa chega ao município de Sapezal, no Mato Grosso, localizado no oeste do estado. Sapezal tem uma área de 13.614,552 km², onde vive uma população de 28.944 pessoas, dados ainda do censo de 2022, o que permite uma baixa densidade demográfica de 2,13 hab/km². O município é servido pelas rodovias BR-364, MT-235 e MT-505. Sapezal faz limites com os municípios de Campos de Júlio, Comodoro, Juína, Brasnorte, Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra. A distância para a capital Cuiabá é de 477 km e o IBGE estimou sua população para este ano de 2026 em 33.520 pessoas.

O nome Sapezal vem de um rio que nasce nas terras do município. Seu tamanho é pequeno, mas de suma importância para a agricultura do lugar. O rio Sapezal deságua no Saué-Uiná, que despeja suas águas no Papagaio, e este vai até o Juruema, já em Brasnorte. Seu significado vem do sapé, uma planta da família das gramíneas, muito utilizada na cobertura de ranchos. Foram estes rios e uma vasta floresta que viajantes e aventureiros, a partir do séc. XVIII, começaram a conhecer por estas bandas, mas sem fincar moradias. A expedição de Marechal Rondon instalou a linha telegráfica cortando o Brasil, que passava pela região, mas também não foi suficiente para permitir a fixação de pessoas.

A colonização só partiu da abertura da fronteira agrícola mato-grossense. As distâncias entre as fazendas variavam de 40 a até 100 km. As estradas que ligavam as fazendas umas às outras eram, na verdade, picadas abertas no cerrado pelos próprios colonos, o que dificultava a formação de um centro de maior povoamento. Os pioneiros foram colonos sulistas, a maior parte vinda do norte do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e oeste do Paraná. Chegaram nestas terras por volta dos anos 1970 e 1980, Paulino Abatti, Ricardo Roberto, Arno Schneider, Ademar Rauber, Eriberto DalMaso, Elenor DalMaso, Írio DalMaso, Mauro Paludo, família Scariote, para citar apenas alguns. 

A urbanização de Sapezal foi implementada a partir da proposta de colonização de André Antônio Maggi, que inclusive deu a atual denominação à cidade. A zona urbana começou a ser efetivada com a abertura da estrada MT-235 – Estrada Nova Fronteira, e do Loteamento da Cidezal Agrícola, de propriedade de André Antônio Maggi, em meados de 1987. Sete anos depois, Sapezal já tinha infraestrutura de cidade, com posto telefônico, posto de combustível, hotel, churrascaria, restaurantes, farmácia, supermercado e modernas escolas, todos com energia elétrica do rio Juruema, obra do grupo Maggi. Foi aí que os deputados Antônio Joaquim e Jaime Muraro apresentaram projeto de lei que se transformou na Lei n.º 6.534, de 19 de setembro de 1994, que cria o município de Sapezal, desmembrado do município de Campo Novo dos Parecis, com apenas um único distrito. Nas eleições ocorridas em 3 de outubro de 1996, foi eleito André Antônio Maggi como primeiro prefeito de Sapezal, ele que foi o fundador da localidade. O município foi devidamente instalado em 1.º de janeiro de 1997.

 É claro que tal crescimento e formação estão ancorados no agronegócio. Basta que se conheça o registro do último PIB para saber que se trata de um município rico, com economia fortemente baseada no agronegócio, especialmente soja, milho e algodão, além da agroindústria. O PIB de Sapezal em 2023 foi de aproximadamente R$ 6,4 bilhões, com um PIB per capita de R$ 221.471,00. Está entre os dez maiores do estado do Mato Grosso. As principais festas e eventos culturais incluem o Carnaval, a Expozal — feira agropecuária, o Festival Gastronômico, festas juninas e religiosas, além de comemorações do aniversário da cidade, com calendário cultural bastante diversificado, mesclando tradições religiosas, festas populares e eventos ligados ao agronegócio. Para citar alguns: Carnaval Jovens com Cristo (fevereiro), Novena e Festa da Padroeira Nossa Senhora de Fátima (maio), Festa Junina Santo Antônio (junho), Expozal (julho), Festival Gastronômico de Sapezal (agosto), Festival de Pesca (setembro), Aniversário de Sapezal (19 de setembro), Missa Solene de Nossa Senhora Aparecida (outubro), Cantata Natalina (novembro/dezembro), dentre outros.

Clique na imagem para assistir ao documentário no YouTube.

Em Sapezal, ficamos hospedados no Pelegrinni Palace Hotel. Tudo estava impecavelmente doce. A única coisa salgada foi o preço da diária, coisa comum nas cidades onde é forte o agronegócio.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *