BR 230: de Cabedelo a Lábrea

Palestina do Pará: palco da Guerrilha do Araguaia

Seguindo ainda pela BR-230 – Transamazônica – de Cabedelo a Lábrea, Contraprosa chega ao estado do Pará, onde a rodovia tem seu maior trecho. Começamos atravessando o rio Araguaia, de Araguatins-TO a Palestina do Pará. A cidade de Palestina do Pará fica um pouco afastada da Transamazônica por apenas 6 km. Da balsa no Araguaia até a sede municipal são cerca de 28 km, com todo o trecho asfaltado. A área territorial é de 984,362 km², onde vive uma população de 6.885 pessoas, pelo censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 6,99 hab/km². Palestina do Pará faz limites com Brejo Grande do Araguaia e São Geraldo do Araguaia, no Pará; e Ananás e Araguatins, no Tocantins. A distância para Belém é de 660 km e o IBGE estimou sua população para 2026 em 7.041 pessoas.

Palestina do Pará começou a ser ocupada pouco antes dos grandes empreendimentos da região amazônica, ainda no modelo de pequena lavoura e extrativismo que imperou na região desde a colonização portuguesa até o início da década de 1960. Em 21 de abril de 1958, chegam as famílias Ribeiro, Sandes, Vieira e Souza, que iniciam a fundação de um povoado às margens do rio Araguaia. Após constatar que a área era sujeita a inundações, eles se dirigiram para uma área mais alta, em região ainda de mata fechada, fazendo suas primeiras lavouras e depois inaugurando a primeira igreja evangélica.

O início da década de 1970 marcou a integração do vilarejo ao restante do território nacional, com a inauguração da BR-230, Rodovia Transamazônica. Neste período floresceram na localidade atividades ligadas à extração madeireira e à agropecuária. Pouco depois, a localidade ficou no meio do tiroteio, nas operações entre guerrilheiros e a ditadura militar, a conhecida Guerrilha do Araguaia. A localidade era um dos pontos de referência para os guerrilheiros.

Só para não dizer que não falamos das flores, a Guerrilha do Araguaia foi um movimento armado organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) entre 1967 e 1974, na região amazônica, com o objetivo de derrubar a ditadura militar e instaurar um regime socialista. O movimento foi brutalmente reprimido pelas Forças Armadas, resultando em mortes, desaparecimentos e graves violações de direitos humanos. O movimento foi inspirado na Revolução Cubana de 1959. Com o AI-5, grupos de esquerda foram para a clandestinidade e luta armada. Cerca de 80 guerrilheiros vieram para esta região do rio Araguaia, entre Pará, Maranhão e norte de Goiás, atual Tocantins. Queriam derrubar a ditadura e achavam que conquistariam o apoio da população rural com a ideia da reforma agrária. A primeira ofensiva militar contra os guerrilheiros ocorreu em 1972; depois veio a Operação Marajoara, em 1973, intensificando a repressão, com uso de tortura e execuções. Por fim, veio a Operação Limpeza, em 1974, com o extermínio quase total do movimento, com desaparecimentos forçados. Estima-se que cerca de 60 guerrilheiros foram mortos, muitos executados após captura. Mais de 50 permanecem desaparecidos até hoje. O episódio foi mantido em sigilo durante anos, só revisitado na redemocratização.

Na década de 1980, Palestina do Pará começou a colher os frutos da exploração econômica da madeira e da agropecuária. Passa então a cobrar mais autonomia e organiza os movimentos de emancipação. No início, dá suporte às pretensões de Brejo Grande do Araguaia, que, após se emancipar, também se mostra incapaz de suprir as demandas de Palestina do Pará. Este fato fez o movimento palestinense permanecer ativo e conseguir um abaixo-assinado pedindo desmembramento de Brejo Grande. Então é elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Palestina do Pará, pela Lei Estadual n.º 5.689, de 13 de dezembro de 1991, desmembrado de Brejo Grande do Araguaia, com um único distrito sede e instalado em 1.º de janeiro de 1993.

  Palestina do Pará está na margem esquerda do Rio Araguaia, no sudeste do Pará, divisa com o estado do Tocantins. O município hoje está subdividido em dois distritos principais: distrito sede, formado basicamente pela cidade de Palestina do Pará, e o distrito de Santa Isabel do Araguaia, localizado mais ao sul, também margeando o Araguaia. Também há os povoados de Porto Jarbas Passarinho – Porto da Balsa, onde tem a ponte interditada sobre o Araguaia, e o Posto Fiscal, localidade que tem a BR-230 como linha limítrofe entre Palestina do Pará e Brejo Grande do Araguaia.

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O perfil econômico de Palestina do Pará está nos setores extrativista e turístico, com vocação no setor agropecuário. Destacam-se nesse sentido a produção de leite e derivados e a bovinocultura para corte. Também há a agricultura familiar e o campesinato, produtores de itens básicos, como milho, mandioca, feijão e frutas, que servem para suprir a demanda local e dos municípios limítrofes. A atividade industrial está concentrada em olarias e cerâmicas. Já o comércio tem uma relevância bastante reduzida, mas supre a demanda local. Em Palestina do Pará, os principais festejos são de caráter religioso e junino, típicos da cultura paraense e da região amazônica, mas o evento principal do município é a Temporada de Praia do Porto, com shows musicais de artistas regionais e nacionais, eventos esportivos e lazer para moradores e turistas durante o mês de julho.

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