Do Sertão ao Centro-Oeste

Campo Novo do Parecis – Mato Grosso

Neste episódio de Do Sertão ao Centro-Oeste, Contraprosa chega a mais um município impulsionado pelo agronegócio: Campo Novo do Parecis, no estado de Mato Grosso. O município é servido pelas rodovias MT-235, MT-495, MT-488 e pela federal BR-364. Sua área territorial total é de 9.428,585 km², onde vive uma população de 45.899 pessoas, censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 4,87 hab/km². Campo Novo do Parecis faz limites com os municípios de Brasnorte, Nova Maringá, Tangará da Serra, Nova Marilândia, Diamantino e Sapezal. A distância até Cuiabá é de 385 km e o IBGE estimou sua população para este ano de 2026 em 53.393 pessoas.

 Não se pode falar na formação do município de Campo Novo do Parecis sem relação direta com a história da passagem do Mal. Cândido Rondon pelo Mato Grosso. Em 1907, Rondon passou pela região em busca do Rio Juruena, atingiu o Rio Verde e seguiu para o norte em busca do Salto Utiariti, fronteando o sítio onde nasceria o futuro município. O território de Campo Novo do Parecis foi trabalhado em duas direções pelos serviços de linha telegráfica: uma para oeste, rumando para Utiariti e Juruena, e outra para leste, em busca de Capanema e Ponte de Pedra. Em fins de janeiro de 1914, o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt, passou defronte ao sítio de Campo Novo do Parecis, em viagem pela Amazônia, em companhia de Rondon.

Apesar de tudo, a ocupação efetiva da região deu-se na década de setenta, com abertura de fazendas e instalação de famílias de migrantes vindos do sul do país. No lugar da futura cidade, à beira da estrada entre Diamantino e Utiariti, assentaram-se diversas famílias. O primeiro nome foi Campos Novos, mas já existia localidade com este mesmo nome na região de Vilhena. Aos poucos, o nome foi mudado para Campo Novo. A região de Campo Novo começou a ser povoada a partir de 1974, com a chegada das primeiras famílias oriundas do sul do país. A agrovila se formou no início da década de 80 e, em função do aumento populacional, do crescimento econômico e da grande distância da sede do município de Diamantino, foi criada uma Subprefeitura, administrada pelo Sr. Clóvis José Minozzo. Em 1981, foi feita doação de 293 hectares de terras para formação de um patrimônio, com essa denominação. A partir daí começam as lutas pela independência administrativa.

Em 1987 teve início o movimento pela emancipação. A localidade já tinha uma população superior a quase dois mil habitantes, mas apenas 769 estavam aptos a votar no plebiscito. Mais de 40% dos eleitores não votaram, mas os 449 que compareceram deram o veredito. Foram 442 favoráveis e apenas 4 disseram não, mais 1 voto nulo e 2 brancos. Mesmo que os ausentes votassem contra, ainda assim a emancipação seria aprovada. Um massacre. Em 2 de outubro do mesmo ano, foi protocolado na Assembleia Legislativa Estadual o Projeto de Lei nº 150, de iniciativa do então deputado Jaime Muraro, dispondo sobre a criação do Município de Campo Novo do Parecis, desmembrando-o do Município de Diamantino, que deu origem à Lei Estadual nº 5.315, publicada em 4 de julho de 1988. O novo município era formado com área do extinto distrito de Utiariti e também desmembrado do município de Diamantino, formando um só distrito sede, instalado em 1.º de janeiro de 1989, com a posse de seus administradores e legisladores. Mais tarde, em 1995, Campo Novo do Parecis passa a ter 3 distritos: Campo Novo do Parecis – a sede –, Itanorte e Marechal Rondon.

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Campo Novo do Parecis possui uma economia fortemente baseada no agronegócio, destacando-se como um dos principais produtores agrícolas de Mato Grosso. O município é reconhecido como o maior produtor nacional de girassol e de milho para pipoca, além de apresentar grande produção de soja, milho e algodão. A agricultura e a pecuária são os setores que mais geram empregos e renda. No campo da cultura, Campo Novo do Parecis é marcada pela diversidade trazida por migrantes de várias regiões do Brasil e pela forte presença dos povos indígenas da etnia Pareci, que dão nome ao município. Tradições, artesanato, danças e manifestações culturais indígenas convivem com festas populares, eventos municipais e atividades voltadas ao turismo cultural, valorizando a identidade local.

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