BR 230: de Cabedelo a Lábrea

Marabá, a capital do Carajás

BR-230 – Transamazônica, em Marabá, no Pará.

Chegamos a mais um episódio da série BR-230 – Transamazônica – de Cabedelo a Lábrea, e vamos conhecer um pouco de uma das cidades que mais crescem no Brasil: Marabá, no estado do Pará. Sua área territorial é imensa pelos padrões de outras regiões, chega a 15.127,872 km², onde reside uma população sempre em crescimento que, pelo censo de 2022, chegou a 266.533 pessoas, numa densidade demográfica de 17,62 hab/km². Apenas 4 anos depois, o IBGE estima sua população para 2026 em 293.344 pessoas. Marabá faz limites com os municípios de Novo Repartimento, Itupiranga, Nova Ipixuna, Rondon do Pará, São Geraldo do Araguaia, Eldorado do Carajás, Curionópolis, Parauapebas, Bom Jesus do Tocantins, São João do Araguaia, São Domingos do Araguaia e São Félix do Xingu. A distância para Belém é de 500 km.

O povoamento da bacia do rio Itacaiúnas tem na formação do município um papel importante, porque apesar de essa região ter sido explorada pelos portugueses ainda no século XVI, permaneceu sem ocupação definitiva durante quase 300 anos. Somente a partir de 1892 é que, de fato, o espaço foi ocupado por colonizadores. A história de Marabá está profundamente ligada aos rios, ao extrativismo e às grandes frentes de ocupação da Amazônia oriental. A região onde hoje está Marabá era habitada por povos indígenas muito antes da chegada dos colonizadores. Pesquisas arqueológicas encontraram evidências de ocupação humana com milhares de anos de antiguidade na região de Carajás e do vale do rio Itacaiúnas.

A ocupação permanente por não indígenas tem marco importante o ano de 1894, quando o coronel Carlos Gomes Leitão, vindo do norte de Goiás (atual Tocantins), estabeleceu um núcleo de colonização na confluência dos rios Tocantins e Itacaiúnas, área que deu origem ao futuro povoado e onde até hoje está solidificada a cidade. O crescimento inicial ocorreu graças à exploração do caucho (uma variedade amazônica da borracha) e, posteriormente, da castanha-do-pará. Essas atividades atraíram migrantes principalmente do Maranhão, Tocantins e outras regiões do Norte e Nordeste. A posição estratégica no encontro dos rios transformou Marabá em um importante centro comercial da região.

População grande, problemas cada vez maiores. Principalmente se levarmos em conta a distância dos grandes centros. Vêm daí os primeiros apelos pela emancipação. A Lei Estadual n.º 1.278, de 27 de fevereiro de 1913, eleva à categoria de vila, portanto município independente, com a denominação de Marabá, desmembrado de São João do Araguaia. O novo município tinha um único distrito e foi devidamente instalado em 05 de abril de 1913. Sete anos depois, já tinha um novo distrito: Lago Vermelho, atual município de Itupiranga. O incrível desta história toda é que a povoação cresceu tanto que absorveu o município-mãe. Pela Lei Estadual n.º 2.116, de 03 de novembro de 1922, é extinto o município de São João do Araguaia, sendo seu território anexado à vila de Marabá. Sob a mesma lei, o distrito de São João do Araguaia passou a denominar-se São João da Ponta. No ano seguinte, a sede municipal de Marabá foi elevada à categoria de cidade.

Durante grande parte de sua história, o acesso era predominantemente fluvial. A região é cortada por rios importantes como Tocantins e Itacaiúnas, que se encontram na zona urbana da cidade, na Praia do Tucunaré, além do Rio Vermelho. A situação mudou com a abertura da antiga PA-70 (atual BR-222), que ligou Marabá à rodovia Belém-Brasília em 1969. Na década de 1970, grandes projetos federais, a abertura da Transamazônica (BR-230) e a descoberta das riquezas minerais da região de Carajás aceleraram o crescimento populacional e econômico. O crescimento também chegou a outras povoações e foram surgindo municípios como São João do Araguaia, Itupiranga, Santa Isabel do Araguaia e Jacundá, todos dentro do território de Marabá.

Nas décadas seguintes, a cidade tornou-se um dos principais polos econômicos do Pará, impulsionada pela mineração, siderurgia, comércio e serviços. Também passou por forte expansão urbana, formando núcleos urbanos como Velha Marabá, Nova Marabá, Cidade Nova e São Félix, que hoje compõem toda a estrutura urbana da cidade, e em plena expansão. O que não dá para entender é que, antes de fechar este documentário, surge a notícia de que moradores do Residencial Cidade Jardim realizaram um protesto e bloquearam um trecho da rodovia BR-230 nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (16). A interdição da via federal gerou lentidão no tráfego de veículos e causou transtornos aos motoristas que trafegavam pela região. O motivo? Falta de água potável. É inacreditável que, numa região repleta de rios, alguém precise gritar por água!

O nome Marabá tem origem indígena e costuma ser interpretado como os índios nascidos de relacionamentos mestiços com brancos. Gonçalves Dias tem um poema com título Marabá, o qual é o relato de uma índia que não pode participar das solenidades por ser uma marabá. Enquanto no poema o preconceito de raça está vivo e gerando infelicidade, em Marabá, o município, todas as raças se uniram, misturaram-se e sempre estão unidas para cobrar aquilo que lhes falta, mesmo que seja somente água, abundante na região e fácil de levar até seus moradores.

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A formação de Marabá pode ser resumida assim: um povoado surgido no encontro dos rios Tocantins e Itacaiúnas, enriquecido pelos ciclos da borracha e da castanha, integrado pelas rodovias amazônicas e transformado em um grande polo mineral e industrial pela influência de Carajás. Tanto que quase virou capital prevista para o projetado Estado de Carajás. A proposta de criação do novo estado previa o desmembramento das regiões sul e sudeste do Pará, tendo Marabá como sede administrativa e capital. O sonho de muitos, que não foi abraçado por todos.

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