Precisamos mudar!
Estamos chegando a mais um final de disputa eleitoral. Não será por falta de eleições para que nós possamos aprender como se vota. Olhando para tudo, do início até aqui, parece que ainda não aprendemos. Já vi de tudo: o eleitor escolhe, mas o candidato decepciona. Na eleição seguinte, o mesmo eleitor vota novamente naquele nome e, mais uma vez, o político não corresponde. Resta perguntar quem está sendo enganado nesta história.
Numa democracia, do ponto de vista lógico, há como decifrar o fenômeno. Se o político prometeu algo e não entregou, ele enganou o eleitor na primeira vez. Não seria reeleito. Mas, após uma experiência ruim, o eleitor decide votar novamente na mesma pessoa, esperando um resultado diferente. Neste caso, pode-se argumentar que o eleitor está se enganando a si próprio. E ainda há como se dizer que ambos têm responsabilidade: o político por não corresponder às expectativas e o eleitor por ignorar a experiência anterior. Essa última me é mais aceitável.
Em uma democracia, o voto funciona como um mecanismo de avaliação. Quando alguém mantém a mesma escolha apesar de repetidas decepções, a discussão deixa de ser apenas sobre a honestidade do candidato e passa a envolver o julgamento e a responsabilidade do eleitor. A Bahia tem um deputado que está preso. Se a Justiça Eleitoral não rifar sua candidatura, ele será eleito! Esse ponto nos indica o fundo do poço.
Vi em algum lugar uma frase que mais ou menos diz o seguinte: “Quem engana uma vez é responsável pelo engano; quem cai repetidamente no mesmo engano precisa rever seus critérios de escolha.” Embora seja o menos protegido, o eleitor não pode ser completamente inocentado da desgraça que estamos vivendo, embora seja a principal vítima de tudo.
Agora vamos imaginar o político que se envolveu em corrupção e disputa cargo com outro, que também já foi envolvido na mesma seara. Ambos disputam mandatos, polarizam os espaços políticos, envolvem a população numa disputa e os dois lideram as pesquisas. A culpa é de quem? Teremos muitas respostas.
Uma delas é que os culpados são os políticos, se efetivamente cometeram atos ilícitos ou estimularam uma política baseada apenas na polarização. Também podemos culpar os partidos por continuarem lançando ou sustentando essas lideranças. Principalmente, recaem sobre as instituições as maiores culpas. Se os políticos estão concorrendo, falharam em investigar, julgar ou comunicar adequadamente os fatos.
Se algo semelhante acontecer nesta eleição, então a sociedade, o eleitorado, os partidos e instituições continuarão premiando comportamentos que dizem reprovar. Atribuir culpa exclusivamente a um único grupo, dizendo, por exemplo, que o povo não sabe votar, simplifica demais um fenômeno complexo. Em democracias, líderes influenciam os eleitores, mas os eleitores também influenciam quais líderes sobrevivem politicamente. Há uma relação de mão dupla.
Ou seja, quando políticos ruins continuam vencendo repetidamente, o problema não é apenas dos políticos. É também do sistema político, dos partidos, das instituições e das escolhas coletivas feitas pela sociedade. Política não é profissão; é serviço público temporário. Também não é investimento ou negócio. Jamais foi imaginada como uma corrida ao ouro.
No dia 4 de outubro poderemos mudar boa parte desta realidade. Sim! Velhos defeitos não podem ser corrigidos apenas numa eleição. Não espere mudança se você não mudou nada. O voto continua por convicção ideológica, rejeição ao adversário, interesse econômico, identidade regional, esperança de mudança ou simplesmente porque consideram a outra opção pior.
Mas é preciso mudar alguma coisa! Para isso, precisamos saber por que a sociedade continua considerando essas pessoas como as melhores opções disponíveis numa população considerável. Certamente, é uma questão mais difícil e mais interessante de analisar. Por enquanto, precisamos mudar!
Foto destaque: candidatos ao governo da Bahia em 2026:
ACM Neto (União);
Ariel Capistrano (DC);
Aroldo Félix (UP);
Jerônimo Rodrigues (PT);
José Estêvão (DC);
Ronaldo Mansur (Psol).
