Hospital Geral Santa Tereza tem ambulâncias abastecidas, mesmo em manutenção
Reportagem publicada pelo PORTAL ALERTA denunciou suspeita de desvios de recursos destinados ao abastecimento de ambulâncias do Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal-BA. Estes recursos são geridos internamente, e utilizados pelos respectivos motoristas através dos Cartões Ticket Fleet e Vale Card. Os valores são disponibilizados pela Secretaria Estadual de Saúde (SASAB), e o gestor de frota realiza a distribuição por ambulância, cujos motoristas possuem suas respectivas senhas e cartões, vinculados aos veículos. Ou seja, cada cartão só pode realizar os abastecimentos no veículo em que estiver cadastrado, também em postos de combustíveis previamente cadastrados no sistema.
Foram constatados abastecimentos em ambulâncias no momento em que elas se encontravam em manutenção. Para se ter ideia, uma delas está há aproximadamente dois anos parada, por conta de um processo interno aberto após um acidente de trânsito. Neste caso específico, somente em um intervalo de 15 dias, entre os dias 1º e 15 de novembro de 2025, foi informado ao Sistema de cartões que tal veículo percorreu 3.708 quilômetros, consumiu 362,94 litros de combustível, gerando um custo de R$ 2.404,29 (dois mil, quatrocentos e quatro reais e vinte e nove centavos), enquanto na prática a ambulância Renault Master, placa de identificação RDQ 7F36 estava parada em manutenção, levada para um pátio de uma oficina no bairro João do Alto, em Ribeira do Pombal, desde 2024, permanecendo até os dias atuais aguardando o resultado do processo interno. Veja abaixo a ambulância e seus respectivos abastecimentos.
Na mesma oficina está outra ambulância Renaut Master, também do Hospital Geral Santa Tereza, com placa de identificação PLT 1H50, desde maio do corrente ano até os dias atuais. No dia 24 de setembro à 02 de outubro, em um intervalo de oito dias, mesmo parada em manutenção, foi constado que o veículo foi abastecido com 402,25 litros de combustível, gerando um custo de R$ 3.386,83 (três mil, trezentos e oitenta e seis reais, e oitenta e três centavos).
Quando realizava a investigação sobre as irregularidades, outra ambulância da unidade também entrou em manutenção, no caso, uma GM S10, placa de identificação PLG 2955. Esta esteve parada por um período de aproximadamente oito dias em uma oficina situada à Rua Cõnego Berenguer, centro de Ribeira do Pombal. No último dia 27, a equipe do site esteve no local confirmando a presença da ambulância que aguardava a chegada de uma peça de reposição. Naquela data, houve um abastecimento com 72,04 litros de combustível, gerando um custo de R$ 561,21 (quinhentos e sessenta e um reais e vinte e um centavos). Para esta ambulância específica, foi possível observar quatro abastecimentos em três dias, que totalizou em 264,28 litros, gerando um custo total de R$ 2.058,76 (dois mil e cinquenta e oito reais, e setenta e seis centavos). Todos os abastecimentos foram realizados no mesmo Posto de Combustíveis, POSTO NOVA SOURE, que fica localizado na cidade de Nova Soure-BA.
O PORTAL ALERTA procurou a pessoa responsável pelo estabelecimento para poder esclarecer os fatos. Na ocasião a gerente do estabelecimento optou por não conceder entrevista, mas afirmou que todos os valores pagos com os referidos cartões, se deram por abastecimentos, porém não tem como precisar em quais veículos foram feitos. Além disso, também foi relatado que o Posto não foi instruído a observar se o cartão de abastecimento é vinculado a determinado veículo.
A Reportagem também buscou a Direção do Hospital, que tomou conhecimento dos fatos a partir das investigações iniciadas pelo portal de notícias. Na ocasião, das seis ambulâncias da Unidade, 50% se encontram em manutenção, justamente as que foram identificadas as respectivas irregularidades. No entanto, todos os pacientes que precisam dos Serviços estão recebendo os seus respectivos atendimentos sem prejuízo. Quanto as denúncias de possíveis desvios, a Unidade divulgou uma nota em que afirma que teria identificado o suposto servidor envolvido na prática, bem como o afastou das suas atividades para a devida apuração dos fatos. Confira:
Caso se confirme os desvios, diante do levamento nos períodos e datas avaliados por amostragem, mesmo que em meses diferentes, é possível chegar à conclusão de que durante 30 dias, os valores supostamente desviados chegam à R$ 7.849,88 (sete mil, oitocentos e quarenta e nove reais, e oitenta e oito centavos), o equivalente a 26% do valor mensal destinado ao Hospital para abastecimentos das ambulâncias, recursos que são oriundos da saúde, para o atendimento de pessoas enfermas.
(Portal Alerta)
