Humaitá – Amazonas
Saímos de Apuí e percorremos mais de 400 km de estrada de terra até chegarmos ao rio Madeira e à cidade de Humaitá. Mas não há como dizer que a estrada estava um desastre. Alguns trechos eram tão bons que a gente nem mesmo pensava em asfalto, mas fato é foi o melhor trecho dos percorridos sem o tapete preto. Após atravessarmos o Madeira, chegamos à cidade de Humaitá. O município possui uma área territorial de 33.113,788 km², onde vive uma população de 57.473 pessoas, censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 1,74 hab/km². Para o ano de 2026, o IBGE estimou sua população em 64.390 pessoas. Humaitá faz limites com os municípios de Manicoré, Tapauá e Canutama – no Amazonas – Porto Velho e Machadinho d’Oeste – em Rondônia. A distância até Manaus, por rodovia, é de 675 km.
Está óbvio que os primeiros habitantes da região onde hoje está erguida Humaitá foram os índios que viviam em economia de subsistência. As principais etnias viviam às margens do Rio Maici (Torá), Rio Marmelo (Tenharim) e Rio Madeira (Parintintin, Pama, Arara e Mura). Os primeiros colonizadores chegaram a partir das missões religiosas e das frentes de colonização que se estabeleceram na região no século XIX. Durante o ciclo da borracha, a posição geográfica do município, às margens do rio Madeira, o transformou em um importante ponto de apoio logístico para transporte e comércio. Registros indicam que o comerciante José Francisco Monteiro foi um dos primeiros colonizadores que, em busca de riquezas, se interessou em ficar definitivamente na região. Ele chegou em 15 de maio de 1869 e instalou-se num lugar chamado Pasto Grande onde era a Sede da Freguesia de São Francisco, no Rio Preto, próximo à atual cidade.
O interesse pela borracha fez a povoação crescer e veio a criação do distrito com a denominação de São Francisco do Rio Madeira, pela Lei n.º 686, de 02 de junho de 1885, subordinado ao município de Manicoré. Pela Lei n.º 790, de 13 de novembro de 1888, é transferida a sede do distrito devido a ataques constantes dos índios. A nova sede da Freguesia foi transferida para o lugar onde hoje está a cidade de Humaitá, com o nome Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Beem de Humaitá. Como o crescimento continuava acelerado, Humaitá foi elevado à categoria de vila, ou seja, município, com a mesma denominação, pelo Decreto n.º 31, de 04 de fevereiro de 1890, desmembrado do município de Manicoré. Há uma outra fonte indicando que Humaitá foi oficialmente criado em 4 de março de 1890, pela Lei Estadual nº 130, desmembrado de Manicoré, e ainda mantido como município pela Lei n.º 33, de 04 de novembro de 1892. Não faltam leis e decretos para confirmar sua condição de município emancipado.
Há uma controvérsia sobre a origem do nome Humaitá. Algumas fontes relatam que é uma referência a um rio que é afluente do Madeira e tem o nome de Humaitá. Só que não existe nenhum afluente do Madeira com este nome no sul do Amazonas, mas há um rio com o mesmo nome no Acre, afluente da bacia do Juruá. O mais correto está relacionado com a informação de que o nome Humaitá foi dado em referência ao Forte/Batalha de Humaitá da Guerra do Paraguai, já que o nome surgiu logo depois do conflito. Apesar disso, vale dizer que a consolidação econômica após o ciclo da borracha só se deu com a abertura da BR-319 e os projetos federais de colonização, despertando no município a vocação agrícola e sua relevância como polo regional. O nome Humaitá é de origem indígena e seu significado é: Hu = negro, ma = agora e itá = pedra = a pedra agora é negra, ou simplesmente pedra negra.
Vários distritos chegaram a fazer parte do município de Humaitá, além da sede: Cavalcante, Lago Cunitiá, Santo Antônio, Três Casas, Foz do Rio Javari, Mirari, Missão de São Francisco e Calama. Este último foi anexado a Humaitá pela Lei Estadual n.º 176, de 1º de dezembro de 1938, mas em 1944 este distrito é transferido para Porto Velho, em Rondônia, que na época era o território federal Guaporé. Hoje, Humaitá é constituído apenas do seu distrito sede. Vale lembrar que a cidade de Humaitá foi devidamente criada pela Lei Estadual n.º 90, de 04 de outubro de 1894.

Conhecida como a Terra da Mangaba, Humaitá é um dos berços culturais e intelectuais do estado do Amazonas. A cidade é riquíssima culturalmente devido à influência das várias culturas que a compõem, como indígena, negra e do sul do país. Para retratar tudo isso, há festivais que fortalecem tais heranças. Vale citar o Festival Folclórico de Humaitá, evento que difunde uma das maiores manifestações populares da cultura brasileira, as quadrilhas juninas e os bois bumbas. As agremiações se preparam durante meses para se apresentar no festival, que acontece em agosto. Também há a Expohuma (Exposição Agropecuária de Humaitá), uma das maiores festas do setor agropecuário no Amazonas, que é realizada anualmente pela Prefeitura de Humaitá, com provas de tiro de laço e tambor, montaria profissional em touros, exposições de animais – bovinos, suínos e equinos, e exposição de produtos da agricultura familiar. Por fim, há a Rainha do Rodeio, com mulheres belas e com habilidade com o berrante e manejo com o chicote, o que não são tarefas fáceis.
