Anapu – Pará
De Pacajá, seguimos a Transamazônica com destino a Anapu, que conheceremos neste episódio. Também se trata de um município grande, com uma área territorial de 11.895,27 km², onde reside uma população de 31.850 pessoas, pelo censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 2,68 hab/km². Anapu faz limites com Portel, São Félix do Xingu, Pacajá, Novo Repartimento, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Sua distância para Belém é de 374 km e o IBGE estimou sua população para este ano de 2026 em 36.304 pessoas. Seguindo a BR 230 e saindo do município de Anapu, logo ao atravessar o rio Xingu, estaremos diante do complexo hidrelétrico de Belo Monte.
O nome Anapu vem do Rio Anapu, cuja palavra provém do tupi ‘anã’, que significa forte, grosso e ‘pu’, ruído: “ruído forte”. O nome se deve ao barulho produzido pelo volume d’água do rio. A formação do município de Anapu tem suas origens também na ocupação da Amazônia através do Programa de Integração Nacional (PIN), instituído em 1970 e implantado a partir de 1971, pelo governo federal, e da construção da Rodovia Transamazônica. Na época da construção da estrada, famílias de várias regiões do Brasil chegaram em busca de novas oportunidades. Em meio aos desafios da floresta, nasceram as primeiras comunidades rurais, formadas por homens e mulheres que encontraram na terra sua chance de recomeçar.
Os construtores foram embora e as famílias ficaram. Anapu ganha corpo com a chegada de mais famílias e o aglomerado urbano passou de pequeno a significativo. Na década de 1980, essas comunidades começaram a se organizar em torno da luta pela terra e pela justiça social, fortalecendo a identidade de um povo que jamais desistiu de seus direitos. A partir desse movimento, nasceu a necessidade de autonomia administrativa. Assim, em 28 de dezembro de 1995, Anapu foi oficialmente instituído município e distrito, desmembrado de Pacajá e Senador José Porfírio, pela Lei Estadual 5.929, datada de 28 de dezembro daquele ano, quando tomou posse o primeiro governo municipal, constituído de um distrito sede.
A luta pela terra é marca do povo de Anapu. Um episódio marcou a comunidade. Dorothy Stang, conhecida como Irmã Dorothy, missionária católica norte-americana naturalizada brasileira, atuava na região de Anapu. Ela defendia pequenos agricultores, a reforma agrária e modelos de desenvolvimento sustentável na Amazônia, o que a colocou em conflito com grileiros, madeireiros e grandes fazendeiros. Em 12 de fevereiro de 2005, Dorothy Stang foi assassinada a tiros em uma emboscada na zona rural de Anapu. Segundo as investigações e decisões judiciais, o crime esteve ligado aos conflitos pela posse da terra na região. Ela já vinha recebendo ameaças de morte por sua atuação em defesa dos trabalhadores rurais e da floresta amazônica. O caso teve grande repercussão nacional e internacional por simbolizar a violência no campo na Amazônia. Os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura e Regivaldo Pereira Galvão foram apontados como mandantes do assassinato e condenados pela Justiça, assim como participantes da execução do crime.

Apesar de ainda carregar as marcas de uma região marcada por conflitos agrários e ambientais, com o passar dos anos, a cidade avançou em saúde, educação, infraestrutura e agricultura, consolidando-se como um polo regional. O cultivo do cacau ganhou destaque, tornando-se uma das principais atividades econômicas, além de inspirar a tradicional Festa do Cacau, celebração que une trabalho, fé e alegria popular. Também é fato haver em Anapu uma diversidade religiosidade expressa nas festas de padroeiros. As quadrilhas juninas animam as noites de São João, sem falar no poder da culinária amazônica, com o açaí, o peixe fresco e a farinha de mandioca, além da tradição dos pratos nordestinos como o baião de dois e a carne de sol, herança dos migrantes que ajudaram a construir a cidade e hoje incorporam o gentílico anapuense com uma carga generosa de orgulho.
