Jacareacanga – Pará
Em mais um episódio de BR 230 – Transamazônica – de Cabedelo a Lábrea, Contraprosa chega ao último município do Pará servido pela rodovia, antes do Amazonas: Jacareacanga. Também é um município gigantesco, com uma área territorial de 53.308,337 km², onde está a reserva do povo Munduruku. Sua população, pelo censo de 2022, chegou a 24.042 pessoas, onde se destaca uma população indígena de 14.216 pessoas. Com isso, a densidade demográfica é uma das menores do país: apenas 0,45 hab/km². Jacareacanga faz limites com os municípios de Itaituba e Novo Progresso, no Pará; Apiacás, no Mato Grosso; e Maués, no Amazonas. A distância até Belém é de 1.700km e o IBGE estimou sua população para o ano de 2026 em 27.130 pessoas.
A história do município de Jacareacanga, localizado na região sudoeste do Estado do Pará, às margens do Rio Tapajós, começa no processo de ocupação da região do Alto Tapajós, inicialmente marcada pela presença de comunidades indígenas, extrativistas e trabalhadores envolvidos nas atividades de exploração dos recursos naturais da Amazônia. O nome Jacareacanga foi dado pelos indígenas da região, que observaram uma elevação que a antiga vila tinha, localizada na outra margem do Tapajós, tinha o formato semelhante a um jacaré, com uma protuberância nas costas lembrando uma canga.
A história do município está ligada à de Itaituba e ao processo de ocupação do rio Tapajós, ganhando destaque a partir da década de 1950, quando o presidente Getúlio Vargas lançou a política de interiorização conhecida como “marcha para o oeste”, visando fortalecer a presença do Estado na região. No final dessa mesma década, o início da garimpagem de ouro provocou intenso fluxo migratório, ocupação desordenada e a formação de uma dependência econômica que permanece até hoje. E esta dependência é curiosa porque vários quilos de ouro foram extraídos da região. Apesar da importância da atividade garimpeira para Jacareacanga, o ouro não reflete a estrutura de seu enorme território de 53 mil km², área maior do que a Holanda. Com a maior população indígena do Pará, o município, que se emancipou de Itaituba há mais 30 anos, apresenta um dos piores índices socioeconômicos do país, pontuando 40,04 pontos no IPS 2025 e ocupando a última posição no Pará e a penúltima no Brasil.
Antes mesmo de ser um distrito, Jacareacanga ficou famosa nacionalmente por um fato inusitado. Em fevereiro de 1956, ocorreu a Revolta de Jacareacanga, que foi um esboço de reação militar contra a posse de Juscelino Kubitschek na presidência do país, poucas semanas antes. Oficiais da aeronáutica partiram da cidade do Rio de Janeiro no dia 10 de fevereiro e se instalaram na Base Aérea de Jacareacanga. A revolta durou dezenove dias e terminou com o controle da situação por forças pró-Kubitschek. Cinco anos depois, foi criado o distrito com a denominação de Jacareacanga, pela Lei Estadual n.º 2.460, de 29 de dezembro de 1961, subordinado ao município de Itaituba. Sua emancipação só ocorreu 30 anos depois, pela Lei Estadual n.º 5.691, de 13 de dezembro de 1991, elevado à categoria de município com a denominação de Jacareacanga, desmembrado de Itaituba, com um único distrito sede. A instalação ocorreu em 1.º de janeiro de 1993.
A partir de 2001, Jacareacanga passa a ter um novo distrito: Porto Rico, distante cerca de 50 km em linha reta. O acesso ao novo distrito é bem limitado. Possui mais de mil habitantes, segundo dados baseados no Censo 2022. Sua área é de aproximadamente 1.262,96 km², representando cerca de 2,37% do território municipal. A maior parte da população vive na zona rural, com presença de comunidades tradicionais, atividades garimpeiras e forte influência indígena. Porto Rico tem ligação histórica com o garimpo de ouro. Registros sobre a comunidade indicam que ela se desenvolveu a partir da década de 1980 como uma área garimpeira, sendo cortada pelo rio Pacu. A economia local está associada ao garimpo, ao comércio e às atividades de subsistência típicas do interior amazônico. Há um aeródromo ao lado do distrito, o que permite acesso mais rápido.

Além da questão do extrativismo mineral, a economia também se vale do extrativismo vegetal, da pesca, da agricultura familiar e do comércio regional, atividades que contribuíram para o desenvolvimento das comunidades existentes ao longo dos rios e áreas rurais. Apesar dos baixos índices de desenvolvimento, a cidade tem suas festas. A mais esperada é a do Aniversário de Jacareacanga, em 13 de dezembro. Também tem o Carnacaré, o carnaval municipal, considerado uma das festas mais tradicionais da cidade. Vale citar ainda o EXPOJA, com rodeio, exposição agropecuária, cavalgada e atrações ligadas ao setor rural. E tem o São João do Alto Tapajós, importante evento junino e cultural da região. A festa de maior relevância cultural de Jacareacanga é a Feira Indígena, que destaca a cultura do povo Munduruku, muito presente no município.
