Novo Repartimento – Pará
Seguindo nosso caminho pela BR 230 – Transamazônica, Contraprosa hoje vai mostrar um município para lá de especial: Novo Repartimento, no estado do Pará. Tudo parece ser gigante por aqui. A área territorial é de 15.398,735 km², equivalente a ¾ do estado de Sergipe. Apesar de ser um município relativamente novo, o censo de 2022 registrou uma população de 60.732 pessoas, o que equivale a uma densidade demográfica de 3,94 hab/km². Além da BR 230, Novo Repartimento é servido pela BR 422, que liga a cidade à hidrelétrica de Tucuruí. O município faz limites com Marabá, Jacundá, Tucuruí, Pacajá, Anapu, São Félix do Xingu, Itupiranga e Goianésia do Pará. A distância até a capital, Belém, é de 560 km, e o IBGE estimou sua população para este ano de 2026 em 63.836 pessoas.
A origem do município de Novo Repartimento está relacionada à tribo indígena Parakanã, à construção da Rodovia Transamazônica e à construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. O nome Repartimento, segundo os historiadores, teve origem com os índios Parakanãs, os quais denominaram de Repartimento um rio que fazia a divisão de suas terras. O município figura entre os mais recentes emancipados no estado do Pará, mas sua história tem relação direta com os projetos das grandes construções e de assentamentos na região de Tucuruí. Inclusive, o povoamento foi iniciado em um vilarejo, situado à margem do rio Repartimento. Tudo começou com o primeiro morador de prenome Evaristo, que se instalou, no início dos anos 70, próximo ao alojamento da Construtora Mendes Júnior, empresa responsável pela terraplanagem da Rodovia BR-422, que ligaria a Rodovia BR-230 ou Transamazônica à hidrelétrica de Tucuruí.
Por ser vizinho da primeira área demarcada como reserva indígena Parakanã, denominaram o novo local de vila de Repartimento, pois este rio também servia de limite para a reserva. Nos mapas primitivos de Tucuruí, lá se encontra a vila de Repartimento, no mesmo local onde está a cidade velha hoje, mesmo antes da inundação da hidrelétrica. O povoado primitivo foi mudado em função da construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, obrigando a mudança do núcleo urbano, cujos resquícios habitacionais aparecem quando a cota do lago se encontra baixa.
De uma única vez, Novo Repartimento saiu da condição de simples povoado e foi elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Novo Repartimento, pela Lei Estadual n.º 5.702, de 13 de dezembro de 1991, desmembrado de Tucuruí, Jacundá e Pacajá, formando um só distrito. Sua instalação definitiva aconteceu em 1.º de janeiro de 1993. No ano de 2005, Novo Repartimento já contava com 3 distritos: Novo Repartimento — a sede, Belo Monte do Pará e Maracajá. No ano de 2014, ganha novo distrito: Vitória da Conquista.
Novo Repartimento começou sua forte urbanização, a partir do local onde foi formado o acampamento da empresa que construiu a Rodovia Transamazônica, e também em consequência da mudança obrigatória da vila de Repartimento Velho, em decorrência da inundação daquela área pelas águas da represa da barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. O crescimento foi rápido e, com ele, vieram os problemas ainda enfrentados nos dias atuais. O município conta com um hospital municipal, localizado na sede, além de unidades de saúde nos bairros que o compõem, e oito postos na zona rural: Maracajá, Divinópolis, Paracanã, Projeto Tuerê, Vila S. Vicente, Vila Belo Monte, Gleba Baiano e Pacajazinho. O município conta ainda com um posto da Fundação de Saúde.
Há ainda sérios problemas com a distribuição de água potável, que atende uma pequena parcela da população que mora na sede do município, mediante poços artesianos e coleta com tratamento em um rio. A maioria das casas apresenta poços e, na maioria dos bairros, existe esgoto, porém não há tratamento destes resíduos. Nas vilas não existe sistema de esgoto; em algumas existe sistema de abastecimento de água. Ocorre coleta de lixo em todo o município, porém todo o material coletado não recebe tratamento e é jogado ao ar livre.
O crescimento urbano ocorreu de forma veloz. Inicialmente, cerca de 90% da população vivia no meio rural, em projetos criados pelo INCRA, e ligados direta ou indiretamente à atividade agrícola. A pecuária tinha pequena participação no contexto econômico, sendo praticada por médios e grandes produtores. No extrativismo vegetal, os produtos que mais se destacavam eram a madeira e a castanha-do-Pará. A partir da década de 90, com a criação do município, a população urbana se igualou à rural, formando novas vilas, com novas famílias chegando por meio do êxodo rural. As principais fontes econômicas hoje são o funcionalismo público, comércio, extração do cacau com incentivo de um projeto do governo do estado, a CEPLAC – Comissão do Plano da Lavoura Cacaueira e pecuária.

Mas o povo novo-repartimentense também se diverte. As principais festas populares de Novo Repartimento estão ligadas às tradições rurais, culturais e juninas do município. Tem a FEXPOANR (Feira de Exposição Agropecuária de Novo Repartimento), que é o maior evento do calendário municipal. Reúne produtores rurais, empresários e visitantes, com programação que inclui rodeios, leilões, shows musicais, concursos, exposições de animais e atividades culturais. A tradicional Cavalgada Ruralista marca a abertura oficial da festa e é considerada uma das maiores manifestações populares da cidade. Também temos o Festival Junino, uma das maiores celebrações culturais do município, e a Festa do Cacau, promovida especialmente no distrito de Belo Monte do Pará. Por fim, vem a comemoração do Aniversário de Novo Repartimento, que acontece em dezembro, com shows, apresentações culturais, atividades esportivas e eventos cívicos. Em Novo Repartimento, ficamos hospedados no Novo Hotel, na avenida por onde passa a Transamazônica. Tudo simples, aconchegante, que cabe bem no bolso.
