Vilhena: Portal da Amazônia
Em mais um episódio da série Nos Caminhos do Norte, Contraprosa chega ao município de Vilhena, em Rondônia, conhecido como o Portal da Amazônia. Sua área territorial é de 11.708,569 km², onde vive uma população de 95.832 pessoas, pelo censo de 2022, o que permite uma densidade demográfica de 8,19 hab/km². Vilhena faz limites com os municípios de Chupinguaia, Pimenta Bueno, Espigão d’Oeste, Colorado do Oeste — todos de Rondônia e Comodoro — no Mato Grosso. A população de Vilhena para este ano de 2026 foi estimada em 110.708 pessoas e a distância até Porto Velho é de 699 km.
A região do município de Vilhena foi desbravada há cerca de 200 anos, quando os bandeirantes Antônio Pires e Paz de Barro denominaram a área como Chapadão dos Parecis. Além dos indígenas nambiquaras, os primeiros não indígenas foram seringueiros vindos do Nordeste, os chamados “soldados da borracha”. A exploração do local se deu a partir do início do século XX, por volta de 1910, com a passagem por estas terras da expedição chefiada pelo tenente-coronel Cândido Mariano da Silva Rondon, quando fixou nos campos do Planalto dos Parecis um posto telegráfico, na linha Cuiabá/Santo Antônio do Alto Madeira. A implantação de milhares de quilômetros de cabos telegráficos fez surgir várias em torno dos postos. Durante 50 anos, foi apenas um posto telegráfico da passagem de pessoas pela região. Só no fim da década de 1950 a presença de colonos tornou-se mais efetiva.
No ano de 1959, o presidente Juscelino Kubitschek iniciou a BR-29, ligando Brasília ao Acre, a atual BR-364, que integrava a região Norte com as demais regiões do País. No ano de 1964, ocorreu, por meio do IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária) e depois INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a distribuição de terras da União aos colonos, dispostos a adquiri-las e se fixarem na região. Este fator atraiu migrantes de todas as regiões do país. Nesta ocasião, chegavam as primeiras cabeças de gado, cerca de 80, quando foi instalado o primeiro posto de gasolina, o primeiro hotel e restaurante, todos de propriedade do pioneiro Ferreira Queiroz.
O nome Vilhena foi escolhido por Cândido Mariano da Silva Rondon em homenagem ao ex-chefe Álvaro Coutinho de Melo Vilhena, natural do Maranhão, engenheiro-chefe da Organização da Carta Telegráfica Pública, que, em 1908, foi nomeado pelo Presidente da República como Diretor Geral dos Telégrafos. Vilhena é a entrada da Amazônia Ocidental, o que permite receber a denominação “Portal da Amazônia”, e teve seu povoamento caracterizado por um fluxo migratório de colonos à procura de novas áreas para melhoria do desenvolvimento econômico.
Na década de 1960, chega o 5º BEC — Quinto Batalhão de Engenharia e Construção — para a conservação da estrada, tendo à sua frente o Comandante Todeschini, que residia em Vilhena. Construiu-se nesta época a primeira Igreja Católica. A energia elétrica chegou via geradores próprios e o fornecimento de água era feito por caminhões, com tambores abastecidos nas águas dos igarapés. Próximo ao local, instalou-se, em 1966, a primeira serraria, e iniciaram-se as obras da EMBRATEL.
Em 1968, instalaram-se a Delegacia de Polícia, a CAERD – Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia e a CERON – Centrais Elétricas de Rondônia. Em 1.º de abril de 1969, Vilhena passa à condição de distrito de Porto Velho, pelo Decreto n.º 565, e ainda à criação do Cartório de Registro Civil e do Juizado de Paz. Nesta época, o distrito contava com cento e sessenta casas, algumas avenidas, como a Marechal Rondon, Major Amarante e Capitão Castro, e sua população era de 800 habitantes. Quatro anos depois, o distrito de Vilhena teve seu primeiro administrador, Gilberto Barbosa de Lima, que administrou de 20 de março de 1973 a 21 de junho de 1977, como fiscal do IBBD – Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, órgão federal responsável por organizar, sistematizar e difundir informações científicas e tecnológicas no Brasil. Em 1976, o órgão foi transformado no atual IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
Com a instalação do projeto Integrado de Colonização Paulo de Assis Ribeiro, em 1974, com núcleo de apoio em Colorado do Oeste, veio o impulso populacional em Vilhena. Neste mesmo ano, instalou-se a pioneira seção eleitoral 104 no distrito de Vilhena. Começa então a necessidade da emancipação e Vilhena é elevado à categoria de município pela Lei Federal n.º 6.448, de 11 de outubro de 1977, desmembrado de Porto Velho e também de Guajará-Mirim, com dois distritos: Vilhena e Colorado. O município só foi instalado em 1982. O primeiro prefeito foi Renato Coutinho dos Santos, pecuarista e hoteleiro. Com a Lei Federal n.º 6.921, de 16 de junho de 1981, é desmembrado do município de Vilhena o distrito de Colorado, elevado à categoria de município com a denominação de Colorado do Oeste. A partir daí, Vilhena passa a ser formado apenas pelo distrito sede.

Hoje, Vilhena é reconhecida como cidade-polo do sul de Rondônia, com forte presença agropecuária e comércio. Conhecida como “Portal da Amazônia”, fica de fato na entrada da Amazônia Ocidental. Possui infraestrutura urbana consolidada, universidades, hospitais e é referência regional em serviços. O município é fruto da integração nacional promovida por Rondon e Juscelino Kubitscheck, da migração de famílias nordestinas e sulistas, e da força da agropecuária, consolidando-se como uma das cidades mais importantes de Rondônia.
