Clima

Grande estiagem pode acontecer no Nordeste

Imagem: Copilot

 Já não é mais surpresa para ninguém, o El Niño deve se consolidar a partir do meio do ano, com probabilidade superior a 80% até o fim do período. O fenômeno é responsável pelo clima no continente. Isso significa que teremos seca mais intensa no Norte e Nordeste do Brasil — incluindo a Bahia — e chuvas fortes no Sul, além de risco de extremos climáticos se evoluir para um “super El Niño” entre novembro e janeiro.

O panorama do El Niño, projetado para este ano de 2026, é que a probabilidade da sua ocorrência nos meses de  junho–julho–agosto é de cerca de 62%. A partir de agosto, as chances chegam a 80% de El Niño se instalar. A fase atual que estamos vivendo é a transição da saída da La Niña para um período de neutralidade até a chegada do El Niño, que deve promover e intensificar o aquecimento do Pacífico Equatorial até maio.

Segundo os meteorologistas, nada disso é novo e sempre ocorre uma vez em cada década. Entretanto, a possibilidade de um “super El Niño”, fenômeno mais raro, está prevista para ocorrer entre os meses de novembro de 2026 e janeiro de 2027, com impactos extremos. No Norte/Nordeste é possível maior risco de seca prolongada, calor intenso e redução das chuvas. No Sul, a tendência é de chuvas acima da média, risco de enchentes e deslizamentos. Já no Centro-Oeste/Sudeste ocorrerá um padrão misto: calor mais persistente, com chuvas irregulares.

 Na agricultura, já é possível esperar prejuízos em culturas dependentes de chuva, como o milho e o feijão, no Nordeste, e excesso de água pode afetar colheitas e logística no Sul. Haverá também menor geração de energia hidrelétrica no Nordeste e maior risco de sobrecarga térmica devido ao calor.

Na Bahia, o ponto crítico será a seca prolongada e o calor intenso. Isso pode afetar tanto a agricultura quanto o abastecimento de água, principalmente na nossa região, que em situações normais já sofre demasiadamente. Com os políticos apenas centrados na eleição de outubro, é possível que medidas só sejam tomadas quando o mau tempo vier.

É preciso ter noção de que nada disso é novo. A primeira grande seca foi de 1877–1879, gerando fome e êxodo em massa. Em 1915 tivemos outra considerável, que até inspirou a cearense Raquel de Queiroz na elaboração de O Quinze. Os baianos sempre colocaram a seca de 1932 como uma das mais violentas, que também provocou muita migração. Depois disso vieram as de 1958, a de 2012–2017, estiagem prolongada de cinco anos. Agora, 2026 promete iniciar um longo período de estiagem.

O último Super El Niño que afetou o Brasil de forma consolidada ocorreu entre 2023 e 2024. Este evento foi um dos cinco mais fortes já registrados na história, atingindo o seu pico de intensidade em dezembro de 2023, quando as águas do Oceano Pacífico chegaram a 2,0 °C acima da média. Os invernos foram até regulares por aqui, com chuvas torrenciais no verão. Em cada lugar e em cada época, as ações do clima são assustadoramente opostas.

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