Polícia

Quando ocorrerá o julgamento do assassinato de Geovane?

Existem as leis, a justiça e a Bahia. O nosso estado é diferenciado quando a Justiça é acionada para aplicar as leis. Não há necessidade aqui de lembrar o amontoado de crimes sem solução e aqueles que, mesmo sabendo todos os detalhes, ainda há uma morosidade incrível para que a Justiça finalmente prevaleça. E se o fato envolve pessoas com acesso aos altos escalões do poder, então a coisa pode até caminhar para a prescrição. Quem se lembra do Caso Geovane?

Reportagem publicada no jornal A Tarde, feita pelo jornalista Gustavo Zambianco, revela que o julgamento dos sete policiais envolvidos na morte de Geovane Mascarenhas de Santana é adiado por dois meses. A vítima foi morta numa abordagem policial em 2014, no bairro da Calçada, em Salvador. São 12 anos para chegar a um julgamento, mas foi adiado, já que aconteceria no Fórum Ruy Barbosa nesta segunda-feira, 27, para o dia 17 de junho.

É bom saber os detalhes, para que a memória não traia os fatos. O jovem Geovane Mascarenhas de Santana foi encontrado decapitado, carbonizado, com órgãos genitais retirados e duas tatuagens removidas após desaparecer durante uma abordagem em 2014.

Conforme o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a decisão foi tomada após a defesa solicitar acesso a informações que não constavam nos autos dos processos, visto que, na época, tramitaram por meio físico. O órgão repassou, por meio de nota, que a solicitação foi aceita visando preservar o direito à plenitude de defesa e evitando a nulidade do julgamento.

O júri estava previsto para durar três dias e seriam julgados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe e com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, os PMs Cláudio Bonfim Borges, Jesimiel da Silva Resende, Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano, Roberto dos Santos Oliveira e Jailson Gomes Oliveira.

Conforme o Ministério Público da Bahia (MP-BA), os oficiais ainda serão julgados por roubo qualificado pelas circunstâncias e, à exceção de Jailson Gomes Oliveira, por ocultação de cadáver.

De acordo com a denúncia do MP-BA, o crime ocorreu em 2 de agosto de 2014. Na ocasião, Geovane pilotava uma motocicleta quando foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar. Em seguida, foi colocado na viatura com o veículo e levado até a Rua Luiz Maria. Depois, os policiais seguiram para outro ponto, onde o jovem foi morto.

Ainda segundo o Ministério Público, após o assassinato, os agentes incendiaram o corpo da vítima na tentativa de ocultar o crime e abandonaram os restos mortais no Parque São Bartolomeu. A motocicleta e o celular de Geovane teriam sido levados pelos policiais.

Na denúncia, o MP-BA sustenta que os militares agiram de forma deliberada, escolhendo a vítima e impedindo qualquer possibilidade de defesa. O órgão afirma que Geovane foi surpreendido, detido sem justificativa legal e mantido sob custódia antes de ser executado.

Imagem destaque: Geovane, a vítima.

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